sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Esse tal Cristianismo-mamônico

Max Weber já obervava a forte ligação entre o pensamento protestante e o capitalismo. A Igreja Católica foi a primeira a falar de uma Teologia da Libertação  (há, contudo, quem diga que Rubem Alves tenha sido o real precursor desta Teologia). Reconhecendo o capitalismo como forte mecanismo de opressão.

Hoje, porém, dificilmente se percebe um movimento contrário ao capital. As igrejas, com suas doutrinas sobre a prosperidade, alimentam a ganância e o desejo pelo dinheiro. Nos púlpitos, pastores quem anseiam o poder. Numa troca sem sentido, os cristãos concedem poder ao líder religioso e, na barganha, recebem incentivos à riqueza. Incentivos que são alimentados por meio de testemunhos pessoais e sermões que afirmam uma tal de "lei da semeadura".

O Cristianismo evangélico "conseguiu" um milagre, por meio da Teologia da Prosperidade! Nem mesmo Jesus considerava isso possível (Mt 6.24)! Fizeram com que Deus e Mamon andassem de mãos dadas. Ter Deus é receber, aqui ou no céu  (aqui é mais importante), as bênçãos de Mamon. Ter Mamon em sua vida é a confirmação da presença de Deus. Antes inimigos declarados, Deus e Mamon se tornaram inseparáveis!

A fome pelo dinheiro e pelo poder, a justificação dessa ganância por  meio de textos bíblicos miseravelmente interpretados, associados a todo apelo consumista que o mercado faz, geram cristãos comprometidos somente com Mamon. Contudo, como é politicamente incorreto, mesmo em ambiente não cristão, se confessar ganancioso e egoísta, se escondem através de canções e eventos que afirmam sua ligação com a divindade.

A impossibilidade de se servir a Mamon e a Deus, confessada pelo pensamento do "retrógrado" Jesus, encontrou seu "jeitinho" de ocorrer: dando 10% para Deus as coisas ficam no "elas por elas". Compram a Deus, ou o Seu favor, por meio do dízimo e das ofertas. Ao mergulharem cada vez mais na miséria, entendem passar por uma provação que, no fim, os conduzirá a "lugares mais altos".

Como se Deus pudesse ser comprado, como se Deus pudesse ser iludido ou enganado. O engano não está direcionado a Jave. Mas sim ao próprio cristão  que mamoniza sua fé. Que faz do dinheiro seu verdadeiro Deus.

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