quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Desabafo...

O cristianismo midiático de massa se desviou de seu caminho. Isto não é novidade e, infelizmente, é vivido com tanta normalidade que confessar-se cristão se precisa de explicações: "mas não sou homofóbico", "mas não sou ganancioso", "não concordo com o Macedo", "mas também acho o Malafaia maluco". Sendo menos "azedo" e mais teológico, observo que esses cristãos fizeram um acordo de traição ao seguimento de Jesus, com consciência limpa.

A Teologia da Prosperidade conseguiu um feito maravilhoso: Deus e Mamon se tornaram amigos. Agora, estar com Mamon é ser abençoado por Deus e estar com Deus é receber Mamon em sua vida. Tal união, que o retrógrado Jesus considerava impossível, hoje se faz real. Os púlpitos protestantes venderam-se para aquilo de mais diabólico há na humanidade: a ganância desenfreada. Se assemelhando, em níveis de clonagem, ao o que um dia foi a igreja católica.

Como se não bastasse essa blasfêmia contra tudo que há de ético, se aliam ao preconceito. Rejeitam ao diferente! Quer este seja vinculado à outra religião, quer seja homossexual. Com isto se une a covardia de expôr suas opiniões. Escondem-se atrás de textos descontextualizados. Não consideram as situações sociais, culturais e econômicas que estão por trás das mensagens contra os deuses e contra a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo. Trocam o amor, maior herança do movimento iniciado pelo Nazareno, por um "prato de lentilhas", à semelhança do patriarca Esaú.

Dizem amar à liberdade de expressão, mas abusam da liberdade, fazendo mau uso dela, ao atacar com "unhas e dentes" àquilo que é contrário ao seu modo de viver. Ou, àquilo que, VERBALMENTE, discordam. Negam a contribuição de Karl Marx e abraçam com afagos ao capitalismo que vitimiza sem piedade. Atacam a ditadura política através do argumento de que precisamos de uma democracia. Contudo, instauram a cristianismo-fundamentalista-cracia. Nesta forma de governo, lançam todos os discordantes no Inferno. Este que foi criado por suas mentes violentas e vingativas. Nele depositam todo o seu ódio e toda a sua amargura camufladas por textos bíblicos. Usam o livro que uniu diferentes confissões de fé a Javé, que uniu irmãos, como arma separatista.

Defendem um modelo de família que melhor se adéqua ao que julgam certo. O termo "certo" se tornou mais importante do que a misericórdia, a compressão e a solidariedade. Consideram tudo o que é bom para o outro, mas que lhes aguça a inveja, como ilegal ou imoral.  Se consideram representantes de Cristo na terra, porém, seriam os primeiros a gritar "crucifica-o". Jesus, em sua história, gerou todo tipo de inveja e perseguição ao ficar ao lado dos que eram discriminados pela religião e pela tradição. De perseguidos, viramos perseguidores, pelo menos aqui, onde a liberdade nos permite a falta de educação e extinção do amor.

Quero relembrar uma parte de uma carta antiga (170 -180 de nossa era) que foi direcionada a Diogneto e, infelizmente - considerando as diferenças temporais -, reparar o quão traidores os cristãos são hoje:

"Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por sua língua ou  costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum  modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e a especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em casa gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros.Toda pátria estrangeira é pátria deles, a cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põe a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem as leis estabelecidas, as com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, deste modo, lhes é dada a vida; são pobres e enriquecem a muitos; carecem de tudo e tem abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, a aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio". 

Nota de esclarecimento: A exceção existe, é compreendida, percebida e aceita. O texto se dirige ao cristianismo midiático.

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