terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre o Saber Virtual

Acredito que vivemos no momento da virtualização do saber, ou melhor, do saber virtual. Nunca vi tantos debates sobre política, direitos humanos e moralidades como hoje em dia. A grande maioria dos tons das "conversas" é de homens e mulheres que entendem a solução dos problemas. De um lado, religiosos indo contra à normalidade da homoafetividade; do outro, radicais homossexuais que ridicularizam o livro de fé de cristãos e judeus; Na outra briga temos a ala esquerda que não concorda com as atitudes do governo (que é de esquerda), do outro lado, os chamados radicais de esquerda - que estão sempre agindo como se estivéssemos, ainda, em plena ditadura militar e - neste caso - formando um triângulo de guerra , os da direita-reacionária (esqueci alguém?, desculpe); Em Outra briga estão os que defendem a moral e os bons costumes e, para isso, atacam BBB, novelas, funk, e toda a abundância de nádegas na TV, contra estes estão os que dão pleno ibope a tudo isso que, pelo número de telefones do BBB, são muitas pessoas, ou a maioria delas.

Entretanto, todos debatem ou postam em suas redes sociais posicionamentos a partir de informações da mesma rede social ou daquilo que a reportagem diz. E aí prevalece o discurso reacionário da Veja ou a fala de difícil definição, da Globo. Como já disse outras vezes, o fato ocorrido ninguém sabe. O que chega a nós é a história interpretada. Quer pelo olhar do repórter; pelo "postador" dos vídeos e imagens; pela edição do BBB; ou por quem diz que não acompanha novela, mas sabe (a partir de que?) do que criticar do programa; Enfim, brigamos e discutimos, tomamos partido de interpretações e nada mais. E não há problema algum nisso. Ou não haveria se, todavia, este saber não fosse "virtual". Pelo Facebook e pelo Twitter todos lutam por causas; pensam fazer "doações" a crianças doentes, ou à África; gente que nem sabe quem é Rubem Alves ou Cora Coralina postam frases que em determinado momento pertence ao primeiro, e, no outro, à Cora.

Mas é assim, agora, por conta do botão "compartilhar", todos somos cultos; todos somos politizados; temos a receita que salva o Brasil de qualquer crise; somos preconceituosos e legitimados pela "liberdade"; ou somos partidários acríticos, simplesmente porque ser polêmico é moda e, assim, externalizamos nossa opinião ultraconservadora ou  revolucionária irracional.

A bem da verdade é que nada sabemos... Nossas postagens apenas alimentam esse sistema e nada conscientizam. São perfeitas para expormos o que pensamos ou no que concordamos e nada mais. Agora, o quanto dessa opinião está baseada no saber virtual ou na firmeza da investigação crítica, somente o "re-postador" saberá. Ou não?

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