terça-feira, 7 de janeiro de 2014

As boas origens pagãs do cristianismo

A religião cristã é filha do judaísmo. Mas não apenas dele. Inúmeros outros povos e culturas influenciaram filha e mãe (antes mesmo da existência de cristianismo). A bíblia registrou, em parte, essa influência. Abaixo listarei algumas:

  • Uma divindade Cananéia, chamada de El-Elyon (traduzido como Deus Altíssimo), tendo como sacerdote um tal de Melquisedeque, recebeu louvor e honra na bíblia e o patriarca da fé judaica, cristã e islâmica, Abraãao, deu o dízimo de tudo ao sacerdote;

  • Há outra divindade que PODE ser que seja a mesma. Simplesmente chamada de El. Este é pai do deus muito conhecido chamado Baal. A religião deste deus é considerada forte oponente da religião de Javé. O livro de reis demonstra essa inimizade no episódio da disputa entre os profetas de Baal e Elias, o profeta de Javé. El é apresentado como um deus pai bondoso. Na história, Javé lhe toma o reinado e acaba por herdar o seu nome (inclusive lhe toma a esposa). O salmo 82 narra a tomada desse lugar e como Deus se levanta para matar todos os deuses que não são justos, tornando-se o único Deus;

  • Os relatos do hino da criação (Gn 1), dilúvio e Jó, tratam-se de reproduções, segundo a fé e o protesto judaico, de mitos contados pelas religiões babilônicas. É o chamado sincretismo de superação, comumente praticado pela cultura judaica;

  • Os judeus não tinham uma fé que lhes permitia crer em anjos ou demônios. Todos os acontecimentos eram oriundos, na sua crença, diretamente de Deus. Coisas boas ou más eram geradas por Deus, por nenhum outro ser a mais. É justamente no contato com a religião persa que se deu a assimilação da existência de anjos e demônios. Também devemos a crença na ressurreição final (que permitiu a fé na ressurreição de Jesus) a esta mesma religião;

  • A chamada santa ceia nada mais é do que outro exemplo de sincretismo de superação. Onde o “original” está no relato da ceia do deus Mitra. Cultuado, principalmente, entre os soldados romanos. 
  • Ainda em Roma encontramos os títulos de Salvador do Mundo, Filho de Deus, Deus de Deus. Eles pertenciam ao Imperador Romano e o cristianismo os deu a Jesus.

Enfim, poderíamos ficar aqui escrevendo inúmeros outras misturas e influências que fizeram com que tenhamos, hoje, a religião cristã. Estes exemplos não foram retirados com o intuito de diminuir ou menosprezar ao cristianismo. Sou cristão, antes que se pense o contrário. A razão está na certeza histórica de que não existe religião pura ou revelação sem influência cultural.

O conhecimento religioso, tal qual o científico, modifica-se segundo os apelos da história. A escravidão já foi justificada pela bíblia; a mulher como parte submissa ao homem também (prefiro já tratar isso como passado); e a miséria já foi vista como vontade de Deus.

Enxergar que uma fé é devedora de tantas outras nos permite a aproximação com bons olhos de outras confissões religiosas. Tal visão tira de nós o peso de estarmos certos de tudo e nos permite aprender e ensinar às outras religiões. Somos todos membros do mesmo planeta e buscamos (religiosos sinceros) a paz. Infelizmente com discursos nem sempre tão amistosos assim. Mas o importante é co-existir. É permitir que o outro seja quem é e tomar coragem de assumir quem somos. Respeitar o direito alheio e honrar nossas convicções apenas contribuem para um mundo mais tolerante.

3 comentários:

  1. Muito boas considerações. Desafio você a buscar algumas fontes e tornar esse comentário um artigo científico, certamente tem aí uma contribuição importante.
    Marcelo Carneiro

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  2. Excelente texto ! Está correto em tudo ! Meus PARABÉNS !
    Um abraço !
    Naiff !

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  3. Muito bacana!
    Eu não consigo entender como o cristão de hoje (me refiro à grande maioria) se acha um judeu! Usam "gírias" bíblicas e querem se comportar como se vivêssemos há 3000 anos! Jesus deu o exemplo de revolucionar! Eles vêm com uma série de afirmativas incontestáveis e nem sabem ao certo do quê estão falando.

    "a paz do Senhor, varão!"

    acham que é um linguajar sacro, quando na verdade é o que o nosso português dá época permitia traduzir...

    poderia ser "beleza, cara?"

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