terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Necessidade de um Natal sem Sentido

Durante todo este ano vimos a humanidade promovendo o ego-ísmo. Foram "364 dias" sem sentido e um dia natalino, repleto de mensagens de amor, paz e fraternidade. Com um apelo de "O Natal é tempo de...", nossos corações tiram a roupa de dores e veste a da esperança e paz. Por um dia, nada mais que isto. Mas sim, "o Natal é tempo..." tal clima natalino, que vem sobre nós, é falado, cantado e propagado. Somos, de alguma forma, tocados pelo Natal. Quer pela indiferença, ou prazer da companhia dos familiares e amigos. Alguma posição se tem diante desta data: alegria, dor ou indiferença. Afinal, "O Natal vem vindo"...

Alguns procuram o "verdadeiro sentido do Natal". Questionam a comercialização da data. Mas qual "data  especial" não é comercializada? Desde quando existe uma data religiosa desassociada do comércio? Os Reinos criam as datas religiosas com o intuito de conseguir passar a imagem de piedosos; apaziguar o povo por meio da sua devoção; promover a venda de determinados produtos e até, de certa forma, "aquecer o comércio" interno. Amós já denunciava isto (Am cap 5:21-23; cap 8 ). Não há "sentido real".

Não há aqui a intenção de tirar a mística do Natal. Neste blog há textos natalinos, um bastante recente, inclusive. O real intuito é demonstrar a força de um símbolo e, ao mesmo tempo, a capacidade que temos de conferir significado e profundidade a qualquer coisa. Os seres humanos são dotados, além da racionalidade e dos sentimentos, de transcendentalidade. Que é a capacidade de ir além, de transpor as barreiras impostas pela imanência, que são tempo e espaço. Nessa força transcendental, com o intuito de conseguir "tocar" naquilo que está para além das explicações racionais, criamos o símbolo. Assim, um aperto de mão representa cordialidade; um beijo, carinho; um abraço, recepção calorosa. Mas, como um símbolo em si mesmo nada diz, posso fazer tudo isso, sem sentir nada do que pretende representar.

Assim é o Natal... Não possui um sentido em si mesmo. Portanto, para o comércio, representa o momento de lucros maiores; para os governantes, é quando se deve passar a imagem de devoto e, assim, conseguir "ganhar" o coração dos religiosos; para a televisão, recontar a história do nascimento de Jesus, para ganhar mais audiência; para o cristão, o dia que escolheram para comemorar o nascimento do Messias. Cada um faz do Natal o que bem entender.

Então, de onde vem essa mística que faz com que queiramos ficar próximos de nossos familiares e amigos? De onde surge essa capacidade de fazer com que alguns reatem seus laços? Por que se clama tanto por paz e por solidariedade no Natal? De onde vem esse poder todo?

A resposta é simples: de nós mesmos. O ser humano é essencialmente bom. Por conta disso, há algo nele que clama por dar e receber afeto. Esse senso amoroso, cordial e hospitaleiro, que vive em nossos corações, encontrou na história do Deus que se doa o símbolo máximo do seu desejo por se doar e receber doação. Consciente ou inconscientemente, nos faz idealizar um momento em que isto possa ser vivido em nós mesmos. Como o Deus transcendental, ao olhar a humanidade necessitada, se deu imensuravelmente a ela, olhamos os necessitados e nos comovemos mais nesta época; como o nascimento de Jesus fez os anjos clamarem por "paz na terra", nesta data tentamos promover mais e nos preocupamos mais com a paz no mundo.

Um nascimento histórico de um bebê só tem este poder porque queremos que tenha. Porque precisamos lançar nossa esperança de paz e fraternidade em alguma coisa que a alimente, que a sustente. Algo "palpável", que seja a causa do efeito que queremos produzir. que faça com que o bem tão escondido e contido em nós, por N propagandas do dia-a-dia, renasça. E fizemos do Natal este estímulo "visual" para despertarmos a força amorosa que mora dentro de nós. 

Desta forma, o Natal ganha outra capacidade, a de revelar o quão divinos somos. Como Deus, podemos nos doar, nos dar e assim con-seguir os seus passos. Este Deus, que sendo Deus, se torna igual a nós, para que sejamos iguais a ele. Este é um sentido dado ao Natal, o de apontar para a entrega de Deus e dizer que podemos fazer igual. E quem disse isso? Nós mesmos e, portanto, Deus também.

Todo um ano "sem sentido" é derrotado pelo sentido que damos ao Natal. Derrota esta ocasionada pelo bem que promovemos nele. Bem que supera, em intenção, o mal que fomos alvo ou algoz, durante todo o resto do ano. Entretanto, o mal do ano "sem sentido" vence em quantidade e efeito... Talvez, por isso, precisamos entender que a chave que liga este bem maior está em nós mesmos e não na data. Reproduzindo as palavras de Jesus: 

"O reino de Deus não vem de forma visível. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque o reino de Deus está dentro de vós" Lucas 17:20-21

Assim, precisamos encontrar esta bondade que mora em nós para, quem sabe, conseguirmos um Natal sem sentido e um ano inteiro bem Natalino.

Te desejo isso... um ano inteiro de Natal produzido por você.

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