sábado, 15 de junho de 2013

Sobre Manifestações Populares e o povo

Há quase dois mil anos atrás, houve uma manifestação popular na palestina. Era popular no perfeito uso da palavra. Seu líder provinha de uma aldeia bem insignificante, chamada Nazaré, de cuja fama fazia com que se perguntasse: "Poderá vir algo bom de Nazaré?".

Essa manifestação popular adquiriu adeptos. Homens da mesma classe social do cabeça do grupo, como alguns líderes do povo que o seguiam escondido. Sua maior arma eram as palavras. Condenavam o roubo; a corrupção; o uso da religião como forma de dominação; o império romano como ameaça cultural, religiosa, política e bélica; e o acordo de cavalheiros entre a liderança do povo e o poder estrangeiro.

Os grandes inimigos do povo são, infelizmente, sempre seus líderes. Já dizia Cazuza: meus inimigos estão no poder. Nessa luta e crença de que o projeto fraterno era superior ao que dominava, na última semana APARENTE desse movimento, seu líder foi recebido na capital como rei. O povo gritava "bendito o rei que vem em nome do Senhor". Acreditavam na força daquelas palavras e na sabedoria amorosa, porém lutadora, de seu mestre.

No mesmo momento, em outro ponto da cidade, havia um desfile acontecendo. Era toda a pompa romana. Chegavam à cidade anunciando a entrada do líder romano que representava o império naquela terra. Armas, estandartes, tudo lembrando que quem manda não era o dono da casa, mas a visita imposta. O estrangeiro! Essa força bélica, representada pelos romanos, pôs um fim na vida do líder popular. Condenaram-no sob a acusação de insurreição. Foi tratado como um rebelde. Como alguém que lutava contra a ordem estabelecida.

Cristo foi morto por lutar contra um grupo que dominava ferozmente sobre o povo. E esse mesmo povo, defendido, amado e reverenciado pelo Jesus, foi o povo que, literariamente, as Escrituras afirmam que diziam: Crucifica-o, crucifica-o.

Assim acontece com todo aquele que compra a briga de quem não quer brigar: acaba crucificado justamente por aqueles por quem lutava.

Manifestações populares são assim: pacíficas! Mas sempre carregam, dentro de si, os Judas Iscariotes, que acreditam na força e fazem besteira (queimam ônibus, são violentos, traem o movimento);

Manifestações populares são assim: vãs! Os que criticam são exatamente aqueles que seriam beneficiados pelo sucesso da manifestação. Os manifestantes são classificados como rebeldes e massa de manobra.

Manifestações populares são assim: desqualificadas! Na cruz humilharam ao povo dizendo: Jesus, o Nazareno, rei dos Judeus. Essa mensagem deixava clara sua intenção: assim morrerá todo aquele que se revoltar contra Roma! Assim será difamado todo aquele que se levantar contra as intenções dominantes. Assim será o fim daqueles que buscam um bem para o povo por que se sentem parte dele.

Manifestações populares são assim: esquecidas! Lembramos dos temas dos vitoriosos: Dom Pedro I amando a nação e proclamando sua independência, José de Anchieta catequizando os Índios: “Quando os primeiros missionários chegaram aqui, nós tínhamos as terras e eles a bíblia; Então eles nos ensinaram a rezar de olhos fechados...Quando nós abrimos os olhos, eles tinham as terras, e nós, a bíblia!"; Nos esqueceremos dos interesses "independentes" e dos índios transformados em brancos, sem terras, sem religião e sem cultura. Nos esqueceremos desses manifestantes e nos lembraremos das palavras de Arnaldo Jabour. Afinal... ele é o Arnaldo... o sempre certo tv globo.

Manifestações populares são assim: nada adiantam! No fim... Jesus foi pra cruz e tudo se acabou. No fim haverá valorização monetária nas coisas e desvalorização da vida. Como sempre foi e sempre será...

Manifestações populares são assim: esperançosas! Jesus ressuscitou ao terceiro dia e sua manifestação popular se tornou no grande movimento cristão. Que só fez burrice ao longo dos séculos. Manchando a imagem do líder Nazareno revolucionário. Entretanto, no meio de tanta sujeira, sempre existiram os que se mantiveram fiéis ao movimento popular inicial. Essa é a nossa esperança... Amanhã, os manifestantes serão vereadores, deputados, prefeitos, governadores e até presidentes, quem sabe? E farão a mesma besteira que hoje condenam, mas, quem sabe não haverá, no meio de tanta nova sujeira, os que ainda sem lembrarão do dia em que foram para a cruz por amor ao que realmente é importante?

Manifestações populares... são assim... que haja esperança... é o que espero.

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