quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O legado de Eva

Naquela manhã, as coisas estavam estranhamente diferentes. Depois de dias de trabalho muito fecundo e de um descanso merecido e regozijado, o Criador se viu diante de um dilema: manter as coisas como estavam e, do seu lugar, viver na contemplação da obra criada, ou, em lugar disso, mergulhar mais profundamente na criação e com ela interagir pessoalmente.

Foi o que fez: pela primeira vez, saiu de si e, esvaziando-se, penetrou no mundo Criado e armou sua habitação entre tudo que fora por suas mãos moldado e vivificado. Descobriu-se em meio a uma névoa densa e perdida por entre os vales e montanhas. Por mais que procurasse, não conseguia enxergar nada entre si e o horizonte, nada além do sereno madrigal que esconde e revela paulatinamente o que sob si adormece.

Nesse instante, talvez acocorado e sentindo o cheiro da terra molhada, passou as mãos por sobre o solo e percebeu que estava na hora de um gesto último: modelou um indivíduo profundamente diferente de tudo que havia sobre a terra recém nascida, diferente de toda ave e todo réptil, diferente de todo mamífero e todo primata. Mas, curiosamente, intimamente a eles ligado e dependente. Com a argila úmida, moldou um ser de pé e com olhos mirados avante. Um indivíduo com o cérebro proporcionalmente maior e mais desenvolvido. Equipado com polegar invertido, capaz de pinçar, se movimentado com o indicador; com pernas fortes e bem articuladas, capazes de dar estabilidade e mobilidade; com aparelhos orgânicos estranhamente capazes de adaptação e sustento.

Não bastasse toda essa sofisticada máquina orgânica e tão prenhe de possibilidades, viu o Criador que lhe faltava o essencial. Viu que não haveria diálogo e era isso que mais interessava naquele momento. Todos – mesmo o Criador – buscamos sempre por comunicação. Por mais que persigamos a singularidade que nos dá a garantia de nossa individualidade, nunca deixamos de desejar ser comuns com o que e com quem nos cerca. Foi nessa ambiguidade perene que o Criador soprou o vento que Lhe alimentava desde a Eternidade e  fez com que penetrasse pelas narinas daquele primeiro indivíduo, que abriu os olhos, os ouvidos, a boca e, talvez, tenha ameaçado os primeiros passos.

Assim foi o Natal de Adam. Nascido das mãos do Criador, era ambivalentemente terreno e divino. Terreno como todos os seus irmãos vegetais e animais, produzido com o que a terra tem de vivo em si e que se entrega tão generosa e potentemente. Divino como o Criador que desejava ardentemente alguém com quem se comunicar.
O Homem é Adam porque é filho de adamah (a terra úmida cheia de vida), mas é nephesh porque é filho do Criador, doador de toda Vida que há. Estava claro, agora, o que se queria dizer com “à nossa imagem e semelhança”; imagem e semelhança da Terra e de Deus. Esse somos nós, filhos da Terra e filhos de Deus!

Isso feito, o que parecia terminado se mostrara apenas começando. Num gesto pedagogicamente paterno, o Criador passou a ordenar o mundo criado e a ele dar a forma de um jardim em que havia árvores de todos os tipos e serventias. Árvores para apreciar, para comer, para aprender e para viver. Cada uma em seu canto, cada uma com sua particularidade. O Homem foi colocado no meio disso tudo e a ele foi confiada a missão de guardar o Jardim. Na planície (éden) espalhada, o Homem se viu com a nobre tarefa de nomear os bichos e plantas, além de regar dia-a-dia as pequenas mudas para fazerem-nas crescer e frutificar; com a missão árdua, mas utilmente digna, de domesticar e criar animais.

Foi nesse cenário: Criador, mundo criado e Homem semelhante ao Criador e ao mundo criado que se percebeu que algo estava, por incrível que pareça, incompleto. A obedecer uma lógica cartesiana, nada estava faltando; mas viu Deus que não era “bom” que o Homem ficasse só. Ainda que semelhante ao Criador e semelhante a tudo que o cercava, Adam estava, sim, só.

Foi aí, no instante da consciência da solidão, que Deus fez Adam dormir profundamente e dele retirou uma costela do peito e, da sua costela, fez emergir Eva e os entregou um ao outro. Viram-se nus, homem e mulher; e, ambos desenvergonhados, entrecuzaram-se os olhares e fizeram-se mutuamente seus, um do outro! Afinal, eram osso dos seus ossos e carne de sua carne. Eram como um só!

Juntos encontraram-se pelo Jardim e, no Jardim, gozavam da presença do Criador, como que num mundo em que Deus e Homem e Mulher são todos uma coisa só, indistintamente.

Lido dessa forma, o capítulo dois do livro de Gênesis nos faz crer que de Deus fez-se o Homem e, do Homem, fez-se a Mulher. Numa linha sucessória que garante ao macho a supremacia sobre a fêmea e que a coloca num patamar de igualdade relativa; igualdade porque é osso e carne do homem, mas relativa porque é dele criada e para ele dedicada.

Pensado numa cultura fortemente patriarcal, Gn 2 ajuda a legitimar o lugar do pai na casa. Dá à mulher um lugar secundário, embora cheio de afagos e juras de reciprocidade.

A questão, todavia, é que Gn 2 não termina no seu último versículo. É preciso ler Gn 3 para compreender melhor as coisas. Não vale, entretanto, lê-los como crônica da história; antes, como narração mítica, que faz compreender as coisas pelo seu avesso e por suas entranhas e não, simplesmente, pela superfície do texto.

Das muitas árvores no Jardim, havia uma proibida pelo Criador. Tratava-se da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao que parece, até esse momento, Homem e Mulher não faziam escolhas e não decidiam por onde caminhar. Sem conhecer e distinguir entre bem e mal, a vida não passava de uma sucessão de dias e noites, indiscriminadamente dirigida pelo instinto.

E aí a história narra a entrada em cena de uma serpente que convencera Eva de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e esta, Eva, convenceu Adam a comer também do mesmo fruto. É muito curioso ler Gn 3,6 porque Eva viu que aquela árvore era boa para se comer. Afinal, era o fruto que os faria saber diferenciar o bem e o mal!

Não se pode fazer julgamento de valor nesse momento, afinal ainda não sabiam distinguir o certo do errado. O que é possível é fazer um juízo de fato: diante deles havia uma árvore que lhes daria o passe de entrada no mundo da Ética. Comeram!

A primeira reação foi enxergarem-se nus e, como consequência, cozeram vestes para se guardarem mutuamente. Em seguida, descobriram as dores do parto e do trabalho. Por fim, sentiram-se desconfortáveis com a presença do Criador no mesmo Jardim e se esconderam.

Embora a Tradição secular da Igreja tenha nos ensinado que Gn 3 trata de uma queda, os versículos 22 e 23 revelam algo surpreendente: “Eis que o Homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente: o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.” Não fomos expulsos porque erramos ou desobedecemos, mas porque chegamos muito perto do Criador, mais perto do que fora planejado.

Considero que a Criação tenha encontrado seu ponto crítico não em Gn 1,26 ou em 2,7, quando Homem e Mulher foram criados à imagem e semelhança do Criador, antes, em Gn 3,6-7 quando Eva lançou-se corajosamente a experimentar daquela árvore e aprendeu a escolher, distinguir e decidir. Deixamos de ser simples imagem e passamos a ser como o próprio Deus, quando Eva nos incentivou a conhecer o bem e o mal e deles fazer distinção e por eles guiar nossas escolhas e decisões.

Penso que Gn 2 e 3 devam ser lidos de trás para frente. O que vem primeiro é a vida tal como ela é. A vida do trabalho, da dor, das alegrias e das decepções; a vida do parto, da terra seca e dos abrolhos. Depois é que vêm as tentativas de entendimento das coisas. Primeiro vem a vida, depois vem o texto.

Creio que o Israel de quatro ou cinco séculos antes da Era Comum estava em busca de respostas para o drama da vida. Talvez tenham visto que a vida é o que é por conta do imponderável que transcende a alçada de interferência humana (daí a majestade do ato criador de Deus), mas, também, e não menos importante, das escolhas feitas na própria vida por homens e mulheres de carne e osso.

É muito interessante que numa sociedade patriarcal, os autores de Gênesis tenham visto no encontro homem-mulher as razões de tudo: do mal e do bem. Tenham descoberto que foi em nome do encontro que homem e mulher decidiram ousar e arriscaram dar um passo adiante.

Eva nos ensinou que Adam sozinho não ousaria largar o Éden. Foi Eva que nos encorajou a enfrentar a natureza, a cultura, o trabalho, a família e a sociedade e nos ensinou o que significa a palavra Ética, porque, pela primeira vez, nos fez discernir entre o Bem e o Mal.

Talvez, então, fosse o caso de pensar com categorias que só mais tarde passariam a fazer sentido pleno: Deus que se fez Homem; Deus que se fez Mulher! Na Criação, já há, antevista, a Encarnação; o Verbo se fez carne e costela, se fez homem e mulher.

A exemplo do que aconteceu com Jesus – em Mc 7,24-30 (quando a mulher siro-fenícia o fizera ver que o amor de Deus supera toda fronteira e alcança a todos, indiscriminadamente) – Eva ensinou a Javé que a criação queria mais para si do que mera semelhança com o Criador; o ser humano exigia autonomia, criatividade e, por fim, liberdade.

E Deus que pensava, no início, em contemplar a obra criada e sua beleza, agora estava eternamente envolvido com as escolhas humanas, alegrando-se e sofrendo com as mesmas; por isso, nunca mais nos abandonou!

Prof. Dr .Ricardo Lengruber Lobosco

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A alegria de poder estar triste

Vivemos dias em que a felicidade impera! Não estou, com isso, querendo dizer que as pessoas são felizes. Muito pelo contrário! A felicidade impera porque todos a buscam desenfreadamente. É necessário ser feliz em todas as áreas: preciso amar o meu corpo, estar saudável, com a mente sã, ter um bom emprego, ter um relacionamento que dure até o fim da vida, ter filhos obedientes, disciplinados, felizes e que sigam meu exemplo. A verdade é que viver tem sido cada vez mais chato!

A religião, que deveria cumprir um papel salutar, acaba reproduzindo essas exigências da atual sociedade. E Deus passa a ser aquele que provisiona todas as condições para ter essa felicidade tão esperada. Afinal "vim para que tenham vida e vida em abundância". 

Nessa busca desenfreada por essa "tal felicidade" muitos acabam sucumbindo ao desespero. Culpam-se por falta de fé, por pecado, por carregar erros de seus antepassados e por isso não conseguir ser feliz, de fato. Alguém precisa pagar a conta por essa infelicidade que sinto. E, obviamente, quando se é religioso, Deus é inocente e culpado o próprio ser humano.

Sinto que as pessoas perderam o direito de serem tristes. Nessas horas meu amor pelo livro de Jó se torna evidente. Lá não é o ser humano culpado de sua dor. Deus quem faz apostas e brinca com a vida humana. No trecho do livro em que está a prosa, Jó se submete a esse Deus. Esse Deus é um Deus ruim! Ele traz o mau e o bem e ainda requer resignação. E Jó é elogiado pelo narrador por essa atitude.

Entretanto, o Jó do poema. Ah! Esse Jó do poema! Como eu sou vidrado nesse cara. Levanta-se fortemente contra esse Deus mesquinho que brinca com a felicidade e a tristeza dos outros. E, por fim, Jó precisa de outro Deus. Esse que conhece já não serve. E assim o judaísmo foi aprendendo que o justo pode sofrer e sem motivo! E é convidado pelo livro a reconhecer Deus de uma forma diferente. A conhecerem o Deus do poema e não o deus da prosa.

O livro tinha a incumbência de responder "Por que o justo sofre?". Mas não consegue. Não consegue explicar porque a tristeza e a angústia estão presentes na vida de qualquer pessoa não importa a sua condição religiosa, financeira ou sexual.

O livro diz: você tem todo o direito de estar infeliz! Você tem todo o direito de se sentir mal! Ele acaba com essa necessidade doida de afirmar que estar com Deus é sempre alegria ou de se sentir deprimido por não conseguir alcançar a felicidade que o mundo todo prega ser possível. Essa felicidade doida, sádica e ao mesmo tempo inexistente!

A vida é atrito, conflito, dificuldade, prazer, paz, facilidade. É sim e não de mãos dadas. Sintamos nossas tristezas, "desfrutemos" de nossas dores. Afinal, somos exatamente o produto de cada uma dessas experiências. Como bem diz Ruben Alves: "OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA".

São os sofredores que mudam o mundo! Esses são inconformados, produzem poemas, profecias, músicas, sonhos. A dor permite ao ser humano tocar a sensibilidade que a felicidade esconde! Ter o direito de sofrer, de sentir dor, de estar triste é, ao mesmo tempo, poder dar ao mundo algo bem melhor do que os felizes dão.

Sejamos o que somos e olhemos, firmemente, para a cruz. E vejamos o rosto triste do Deus que ama a alegria. O rosto dolorido do infeliz que mudou tudo...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sobre Filhos e Cães (Mateus 15:21-28)

Normalmente sou levado a utilizar os textos de Marcos, por gostar mais dele e por ser o primeiro escrito. Entretanto, acho interessante as adições feitas por Mateus nesse episódio. A história é bem conhecida. Porém, muito já ouvi sobre essa narrativa e, por conta de tudo que já ouvi, acho que convém dar meu parecer sobre o texto.

Primeiramente vamos nos ater ao contexto. Lembrando que, sobre o contexto, vale ressaltar que existe o contexto literário (em que lugar da obra de Mateus está situado o texto) e o contexto do autor (de que lugar e época provêm o texto e a quem é dirigido). Isso nos coloca diante de alguns problemas que precisam ser resolvidos.

Mateus escreve em um período onde existe uma forte disputa com os fariseus. Isto porque, depois da guerra judaica (64-70 dc), os dois "judaísmos" (cristãos e fariseus) lutam para reorganizar a fé judaica abalada por conta da destruição do templo e de Jerusalém. Uma tribulação que "enganou" alguns judeus-não-cristãos e judeu-cristãos. O primeiro grupo esperava o momento messiânico e o segundo o retorno de Jesus. O evangelho de Marcos resolveu o problema dos cristãos e os fariseus lutavam para resolver o problema dos outros.

Nessa disputa judaica, Mateus reedita o evangelho de Marcos. Ampliando e acrescentando fatos que apontam o nível dessa disputa. Dando a Cristo a primazia e um título subjetivo de verdadeiro intérprete das Torah. E em uma de suas interpretações (de Mateus), ele recolhe esse episódio de Marcos e demonstra sua visão de que a salvação em Cristo é Universal e não limitada a Israel. Para chegar nessa conclusão, na controvérsia com os fariseus, Mateus já introduz esse ensinamento (E no seu nome os gentios esperarão. Mateus 12:21). Mas, neste episódio, Jesus ainda não enxergava isso. A visão limitada a Israel era ensinada por Jesus a seus discípulos na sua primeira comissão: 

"E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. (...) Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;
Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;
E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. 
Mateus 10:1-7"

Jesus envia seus discípulos somente "às ovelhas perdidas de Israel". Para aqueles que julgam que esse era um pensamento temporal e que Jesus já se imaginava indo aos gentios, o episódio dessa reflexão diz outra coisa: 

"Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 
Mateus 15:24"

Para Jesus entender o amor do Pai foi preciso o amor de uma mãe. Uma mulher que ama sua filha demonstra para Jesus o amor do Pai. Seus discípulos compartilham da mesma opinião que Jesus, mas chegam a pedir que o Mestre, pelo menos, diga que não irá atendê-la, pois Jesus nem respondia. Mas a mulher diz:

"Senhor, socorre-me! Mateus 15:25"

Sua dor não comove Jesus. Pelo contrário, em uma parábola ele deixa claro que, diante da salvação oferecida, ela não fazia parte do povo eleito. Se o mundo todo fosse uma família, ela seria um cão e os judeus os filhos. No momento (em que Jesus estava) os filhos mereciam atenção e precisavam ser "alimentados".

Aquela mulher devia ter ouvido algo sobre Jesus. Alguma coisa lhe deu esperança, mas, no lugar, recebeu uma palavra dura. O amor por sua filha faz com que devolva, ao Mestre das parábolas, outra. Assumiu, no olhar de Jesus, seu papel de cão. E suplicou comer das migalhas que os filhos deixavam cair da mesa. De tudo aquilo que era oferecido aos judeus (e eles negavam), ela queria apenas as migalhas. O que importava a ela não era ter a primazia ou a igualdade, apenas a libertação de sua filha.

"Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. 
Mateus 15:27"

Jesus não teve outra coisa a fazer diante daquela declaração:

"Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. 
Mateus 15:28"

Aquela mulher ensinou algo a Jesus. O Mestre teve sua aula. Ele compreendeu que a missão do Messias era Universal. E compreendeu bem, segundo Mateus que, na definitiva missão dos apóstolos, faz seu Jesus declarar:

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. 
Mateus 28:19-20"

Por conta daquela mulher, Jesus passa a entender que Deus é o Deus de todos os povos. Ensinamento esse que os profetas judeus já possuíam -  que nos diga Amós!. E que muitos judeus de ontem e hoje compreendem da mesma forma. Entretanto, para o Messias, isso ainda não estava claro.

Não existem cães! O que há é um mundo de filhos. Um mundo de ovelhas perdidas. Mateus ensina para seus irmãos que a justiça de Deus não vê apenas os judeus que perderam seu lugar de culto e sua casa. Mas todos os povos que, de alguma forma, estão perdidos e necessitados. O Messias enviou seus discípulos a todos os povos.

Deus é o Deus da libertação de todos os povos. Deus é o Deus de todos os sofridos, injustiçados e oprimidos. Deus é o Deus dos necessitados, não importando cor, raça, credo, cultura ou sangue. Se mesmo Jesus pôde aprender isso, por que ainda pregar um Deus partidário? Libertemos nossa mente para compreendermos o Deus de Jesus. O Deus de todos! Não há cães! Há filhos com fome! E ele diz: "dai-lhes vós de comer." (Mateus 14:16).