sexta-feira, 22 de junho de 2012

Religar-se Já!

Em tempos de Rio+20, cabe uma breve reflexão sobre um pensamento Teológico Sustentável. Já, em diversas postagem, critiquei a ideia de  muitas pessoas que julgam que este mundo é mau e que, portanto, será destruído por Deus. Dizem, ainda que, em algum momento, ele mesmo levará para si sua igreja. Mas acredito que a coisa, no momento, seja um pouco mais séria.

Creio que estamos vivendo numa época decisiva para o futuro tanto da humanidade quanto de diversas espécies de seres vivos. A terra, nas palavras de Leonardo Boff, é robusta demais e certamente não chegará ao seu fim. Entretanto, a vida está fortemente ameaçada. Sempre vi a Terra como um grande ser vivo que, estando com febre, lança mão das defesas de seu organismo para eliminar o mal que a afeta. E continuo vendo assim.

A tradição bíblica que escreveu o conto de Adão e Eva, bem como a que criou o "Hino da Criação", demonstram que ao ser humano, dotado de consciência, cabe a preservação e a manutenção da terra e dos animais. Não é preciso lançar mão de pesquisas biológicas para confirmar que tudo no mundo possui um ciclo. Desde a cadeia alimentar até a chuva, por exemplo. Ao ser humano coube entender, supervisionar e contribuir para que o ciclo se mantenha em perfeita harmonia. Nossa história, entretanto, ergue como testemunha de que aprendemos a colonizar a terra. Tiramos dela tudo o que queremos, inconsequentemente, diga-se. Mesmo sabendo que, como uma mãe, nos deu tudo o que tem, contudo, seguindo suas regras para nos e se preservar. 

Da mesma forma que nos distanciamos da Terra e nos distanciamos do Sagrado. E aí entra o que eu realmente chamo de Pecado. Pecado pra mim é o distanciamento do ser humano de si mesmo, do outro e da Terra. O Desrespeito àquilo que chamamos de criação e a exploração do que denominamos como próximo contribuíram para um endurecimento do coração humano. A grande questão é que a humanidade resolveu pegar um "atalho" para tocar o Sagrado novamente. Nesse atalho ela criou a religião. Julgando estar desligada de Deus, achou por bem religar-se a Ele. Mas como se chegar ao ponto de onde saimos, indo por outro caminho? Houve um tempo, no passado, em que se dizia que "Todas as estradas levam à Roma". Sim, o império Romano se colocou como um centro para onde todos se ligavam. E assim julgamos ser o Sagrado. Um grande centro onde todos os caminhos nos conduzem a ele. Daí surgem as diversas religiões! Porém, acredito que todas as religiões possuem acertos e erros sobre esse caminho. Acabam por nos mergulhar em um labirinto sem fim. Perdidos em crenças, ritos e dogmas que nos dividem enquanto o fim derradeiro se aproxima. E, para elevar o caminho que traçaram, alguns chegam a chamar esse fim de desejo, vontade de seu Deus.

Houve, porém, algumas religiões que ousaram sair à frente. Essas que viram na Terra a verdadeira doadora da vida e chamaram-na de Mãe. Mãe Natureza, Mãe Terra... Mãe. Acho que nos reconciliar com nossa mãe - tal qual o filho pródigo que gastou tudo o que do Pai tinha direito - é o caminho do reencontro perfeito com Deus. 

Não precisamos "atalhar". Basta refazermos o caminho: respeitar os ciclos da Terra; respeitar o lugar do outro; o direito do outro; fazer parte da grande cooperação que existe entre os demais seres; Enfim, seguir o caminho da reconciliação. Refazer o caminho antigo, reconstruir o que foi destruído, reaprender o que foi esquecido, abandonar o que se aprendeu de nocivo e mergulhar-se no amor gratuito da mãe Terra que é a criação generosa do Deus Pai.

Tudo isso é o que eu vejo na chamada "Carta da Terra" e o que demais importante existe para o tempo que chamamos de "Hoje". Vamos nos religar a Deus... mas, antes e para isso, nos religuemos uns aos outros e, juntos,  reconciliemo-nos com nossa Mãe. Assim, o Pai, sustentador da vida, encontraremos bem no centro. De onde todas as coisas surgem e para onde todas as coisas se destinam.

Um comentário:

  1. Meu amigo realmente precisamos reconhecer que fazemos parte de um sistema que inclue nós humanos, os reino animal e vegetal, enfim todo que exite abaixo do céu. E com isso perceber que existe uma relação intrínseca entre tudo, e que sofremos as consequências do nosso distanciamento e da nossa omissão. Mais uma vez obrigada por compartilhar um pouco de suas idéias conosco. Abraços.

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