segunda-feira, 14 de maio de 2012

Para que não digam que não falei sobre os dons

Há um tempo atrás senti a necessidade de escrever sobre os dons espirituais segundo a idéia Paulina. Pensei nisso não apenas por conta do assunto que, em si só, já é interessante. Mas porque percebo que muita gente possui dificuldade diante do assunto. Isso porque estamos acostumados a ler a Bíblia respeitando os versículos e capítulos. E, com isso, acabamos por dificultar a compreensão de um tema que, muitas vezes, por ser tão grande, não respeita a divisão criada posteriormente ao texto.

Parto da idéia de que muitas pessoas lêem o capítulo 12 de I Cor e tiram suas conclusões a partir da mensagem singular Paulina: diversos são os dons, mas o doador é o mesmo. Sim, concordo que isso é importante. Mas os cristãos de Corinto já sabiam disso. Não havia nada de importante em Paulo enumerar os dons que estavam presentes na igreja (veja a preleção deles por Paulo, Pedro, Apolo e Jesus, onde cada um aponta para um grupo diferente - incluindo dons).

Mas de fato, o bilhete paulino que trata dos dons começa no primeiro versículo do capítulo 12. E nele Paulo procura demonstrar como todos os cristãos são agraciados com um dom e como cada dom possui sua importância para a edificação do Reino de Deus. Entretanto, o capítulo 12 termina no versículo 31 com um conselho muito significativo na parte "a" do verso:

"Portanto, procurai com zelo os melhores dons;" 1 Coríntios 12:31a

Depois de enumerar uma quantidade enorme de dons, para uma igreja dividida exatamente por conta de diversos grupos darem valor a essa ou aquela pessoa que possui esse ou aquele dom. Paulo afirma a necessidade de cada um deles, mas devolve  a briga ao povo, com seu conselho. Afinal, qual seria o maior dom diante de tudo aquilo que foi enumerado?

Então, surge a dica do Apóstolo na parte "b" do verso:

"E agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos".1 Coríntios 12:31b

Paulo não permite que o grupo decida no debate qual seria o dom mais importante. Cada um, certamente, seria guiado por dar valor àquilo que mais se identificava. Como muitos fazem hoje nas igrejas.

Existe demasiado valor na oração e no poder dos milagres em diversas igrejas; há quem valorize exageradamente o Ministério de Louvor. Alguns chegam a afirmar que será o único ministério presente no céu (besteira e imbecilidade); há igrejas e grupos que ainda dão ênfase ao chamado de apóstolo. Para esses penso como João Alexandre: os falsos chamados apostolados do lado oposto da fé; E há quem julgue que a Teologia é a salvação da igreja.

Para evitar esses debates sem fim, Paulo diz que vai ensinar qual é o dom mais importante:

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada.
Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria!
1 Coríntios 13:1-3"


Sim, retorno a um tema mais do que recorrente na "minha teologia", o do amor. Paulo acaba com toda disputa e com toda valorização da espiritualidade "individual" quando apela para o que de mais importante existe para o Evangelho: o amor.

Sem amor, de nada adianta ministério, apostolado, campanhas e etc. Tudo se resume à vaidade (correr atrás do vendo, trabalho vão, inutilidade, futilidade). O amor é o dom maior de Deus, pois o amor é o próprio Deus (Segundo João). Quando Deus devota seu amor à sua criação, ele se devota, se entrega. Quando buscamos o dom maior (o amor), é a Deus que buscamos e é amando ao outro que manifesto o verdadeiro poder do Espírito Santo. Não há amor sem a presença desse Espírito de Vida.

O bilhete de Paulo continua. E nele explica como os dons devem ser exercidos dentro do culto cristão primitivo. Entretanto, a perícope do amor como dom supremo demonstra que toda a espiritualidade dos coríntios, marcada pela disputa do que seria mais importante, eliminava aquilo que realmente deveria estar no centro: a busca incansável pelo amor.

Infantilidades existirão, não tem jeito. Mas que, apesar de tudo, busquemos o amor como verdadeiro dom do Deus que não sabe fazer outra coisa, a não ser amar.

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