sexta-feira, 2 de março de 2012

Tributo ao Milton

Meu primeiro contato com um escrito do pastor-doutor-professor Milton Schwantes, foi quando ainda era um estudante de primeiro período. Não tinha, na verdade, nem me ligado no autor do texto. Nem mesmo havia gravado seu nome. Entretanto, foi em um congresso realizado no Bennett com uma aula magna do professor teólogo alemão Junger Moltman que pude ver quem era o professor Milton.

Em sua palestra conseguiu roubar a cena! Explicava com prazer em um diálogo com a teologia da libertação que nunca tinha visto antes. Dali pra frente, seus livros se tornaram comuns em minha mochila. Sua forma de escrever, analisar os textos, concluir pensamento e mesmo quando escrevia pesquisas inacabadas faziam-me deliciar em cada parágrafo.

Algo inusitado aconteceu no ano da minha conclusão. Em minha caixa de e-mail chegou uma mensagem do doutor Milton. Não era uma mensagem particularmente direcionada a mim, mas a muitos outros alunos de teologia. Oferecido os livros dele a preço de banana. rs

Consegui comprar seus livros, novos, a 5 ou 7 reais. Assim era a imagem do professor Milton: popularizando o conhecimento que era, até certo ponto, limitado à academia. Obviamente, aproveite-me do fato dele ter meu e-mail e comecei a trocar mensagens com ele. Tirei dúvidas, pedi indicações de livros e de autores. E ele sempre prestativo. Com suas respostas conseguia me sentir como um discípulo ouvindo o mestre. E, devo confessar, Milton Schwantes era meu mestre! Artigos, livros, estudos bíblicos, entrevistas enfim. Nesse pouco tempo de formando e formado nunca deixei de lê-lo.

Contudo... As pessoas se vão! Morrem... Não mais terei acesso a novos livros, novas pesquisas, novas frases, novas descobertas vindas do professor Milton. Ele vai, sua obra, contudo, permanece conosco. Entrou para a galeria dos teólogos que costumamos dizer: não mais existirá um assim. Sempre aparece, sempre surge. Mas, enquanto o tempo não faz com que isso se concretize, fica a lembrança de um Mestre! A lembrança de um pastor! Utópico, sonhador, verdadeiro amante da justiça e do reino de Deus. Um teólogo da libertação, um exegeta da libertação! Da nossa libertação! Alguém cuja vida valeu a pena que vai, mas deixa um caminho longo de verdadeiro significado.

Vou deixar abaixo um conselho retirado de um de seus livros (Breve História de Israel) que, ainda hoje, procuro seguir como um discípulo fiel. Segue como conselho de um experiente teólogo. Um dia nos encontraremos e poderei dizer: muito obrigado!



“Mas também, tem que se evitar outro tipo de ‘fundamentalismo’, o de simplesmente crer nas informações da ciência, porque esta é provisória, seus resultados nunca são definitivos, estando sempre abertos para novos conhecimentos. Por isso não se trata de substituir o texto por dados da investigação história, mas sim de ir iluminando a leitura comunitária e popular do texto bíblico, dessa memória profética e transformadora, com descobertas da ciência histórica na medida do interesse e das possibilidades da comunidade”
Milton Scwantes

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