sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal como um símbolo que nos basta!

Sou uma pessoa que dá bastante valor aos símbolos. Eles de fato me encantam e estão em todos os lugares: um aperto de mão; um sorriso demonstrando estar tudo bem; um aceno com as mãos ao se despedir; um beijo no rosto como sinal de afeto; um abraço; e mesmo essas letras que compuseram as palavras. Quem disse que esse desenho "a" representa, foneticamente o que chamos de "a"? Viu? O símbolo é tão perfeito que para falar do que ele aponta, não tem jeito, precisamos dele mesmo.

E é isso que me fascina nos símbolos: a capacidade de apontar para algo além dele mesmo. A cor vermelha, por exemplo, não significa nada, mas, em um semáforo possui uma ordem de "Pare"; Uma aliança em uma vitrine não diz absolutamente nada, é apenas um anel. Mas ganha total simbologia e significado, mesmo na vitrine, quando dois namorados olham-na e pensam como ficará em seus dedos. E, no momento do "sim", o símbolo se concretiza e chega ao seu auge. O anel que chamamos de "aliança" não é a aliança do casal. O casal firma um pacto de entrega total, irrestrita e exclusiva. E esse pacto, se simboliza no anel que chamamos "aliança".

Símbolos... eu de fato os amo. É  a forma perfeita de fazer poesia sem usar letras ou a criatividade da fala. O símbolo fala no silêncio, no meditar, no raciocínio para além do instrumento usado. Um pano branco é apenas isso e nada mais. Numa aste, forma uma bandeira que pede e anuncia a paz.

Essa mesma paz, ampliada e elevada ao máximo da potência recebe seu símbolo maior na palavra Natal. O dia 25 de dezembro nada mais é do que um dia como outro. Contudo, recebeu um símbolo que diz que essa data é especial. E todo o clamor do comércio não consegue apagar de muitos a mensagem que esse símbolo anuncia: paz, igualdade, unidade e fraternidade.

Contudo existem muitos que não conseguem se alimentar dos símbolos. O ardor do fundamentalismo atrapalha (e muito) a observar essas mensagens gravadas nas coisas sem sentido em si mesmas. A exemplo, muitas igrejas começaram certa campanha contra o Natal devido sua "verdadeira origem pagã". Enchem de argumentos dizendo que Cristo jamais teria nascido em dezembro e fazem mil cálculos para determinar o ano e possivelmente o mês do nascimento de Jesus.

Como se isso fosse importante... não importa se a festa em si, originalmente, vem da idolatria. Não faz diferença nenhuma se Jesus não nasceu no dia 25. As coisas ganham valor pq damos valores a elas. Da mesma forma perdem valor porque começamos a deprecia-las.

E o universo religioso é o universo dos símbolos. Não existe religião sem símbolos! E, portanto, não se deve "des-simbolizar" o cristianismo, pelo contrário, a simbologia cristã fomenta a fé, faz a "mágica" da religação e permite-nos tocar o Sagrado com elementos que, fora dos ritos e da simbologia, não possuem valor algum.

O que é um pão e um vinho? Nada além de alimentos como qualquer um outro. Unidos, numa ceia, contudo, são o corpo e o sangue de Cristo; O que é a água se não o elemento essencial à vida mas que, com comumente está presente em nossas torneiras, filtros, privadas, chuveiros, tanques, lavadoras, geladeiras e etc. Entretanto, derramado sobre a cabeça de alguém, ou preenchedo todo o corpo dessa mesma pessoa que é imergida em um rio ou piscina, a água se torna o elemento essencial do batismo, que simboliza a morte da vida antiga e o renascer ou o ressuscitar para uma vida nova e eterna.

E podemos ir mais adiante: o fechar os olhos em um momento de louvor ou oração; o erguer as mãos em sinal de intercessão; a cruz; o altar; o templo e etc... tudo, simplesmente tudo, símbolo, símbolo e símbolo...

Devemos aprender a respeitar nossos símbolos, valoriza-los e compreender a mensagem que eles carregam.

Então é Natal! Jesus não nasceu no dia 25, mas é o dia de relembrar seu nascimento e ser tocado pelo maior símbolo do amor de Deus: a encarnação do Verbo, sua vida em amor, sua morte por amar e sua ressurreição que nos faz vivos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário