segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Uma aula com Jonas...

Jonas é um personagem factual. Pelo menos assim diz um dos livros dos profetas anteriores 2 Reis 14:25, na época de Jeroboão II (783 a 743 aC):

"Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer"

O livro de Jonas, contudo, foi escrito bem depois da vida desse personagem e trata de um assunto bem relevante: a dureza do coração de Israel e seu orgulho oriundo da crença na eleição.

Jonas é considerado um profeta de Deus e, como profeta, conhece bem ao seu Deus e o define como:

"(...) és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal" 4.2b

Compreendendo a grandeza do amor de Deus, não obedece a ordem divina de ir à Nínive e pregar contra ela. Anunciando que os seus pecados "subiram" até Deus. Desobedece porque não quer que Nínive tenha a oportunidade de se arrepender. Deseja, sim, que pague por todos os seus pecados.

Nínive era a capital do Império Assírio. Império esse que eliminou "do mapa" o reino de Israel (reino do Norte) e deportou sua população (722 a.C.), de onde Jonas era. A Assíria, assim como a Babilônia, entrou para a história como símbolo da opressão e símbolo do mal. Vale, contudo, lembrar que, no período de Jeroboão II (momento em que Jonas exerce seu ministério), a Assíria, AINDA, não possui essa imagem. Do contrário, Oséias, que é do mesmo período, não teria exortado ao rei a não fazer aliança com a mesma. Se o rei procura fazer aliança com ela, é porque, de alguma forma, pode lhe ser favorável (Oséias 5:13). Sem contar que, segundo Herbert Donner, em "História de Israel e dos povos vizinhos":

"Jeroboão II era rei de um Estado em paz com as outras nações; interiormente reinavam bem-estar e um grau considerável de prosperidade econômica."

Na época de Jonas, Oséias e Amós – os profetas contemporâneos de Jeroboão II – a exortação é contra Israel, que faz aliança com povos idólatras, comete idolatria e oprime o órfão, a viúva e o estrangeiro.

Sendo assim, a imagem de Nínive como grande pecadora e símbolo de opressão, certamente, é posterior a 722a.C.. Precisamente quando ela eliminou o reino do Norte. Conlui-se, entao, que o livro foi, necessarimente, escrito após essa data.

Os profetas, contudo, afirmavam que Israel e Judá sofreram nas mãos da Assíria e Babilônia, respectivamente, devido a desobediência. Jeremias diz:

"E eu vos enviei todos os meus servos, os profetas, madrugando e enviando a dizer: Ora, não façais esta coisa abominável que odeio. Mas eles não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos, para se converterem da sua maldade (...) 44.4-5".

Profetas com boa vontade e amor ao seu povo não conseguiram fazer com que o chamado "povo de Deus" se convertesse; Um profeta com má vontade, pois esperando e torcendo para que Nínive seja arruinada, consegue fazer com que o povo idólatra se arrependa e seja perdoado por Deus.

Dessa forma, os judeus da época em que o livro foi escrito são obrigados a entender que, não importando que povo - ainda que seja o mais alto opressor -, Deus ama e espera que esse aprenda a viver para o bem. Sendo assim, não devem os judeus achar-se escolhidos como que um privilégio em relação aos outros povos. Como se Deus, por amor a eles, fizesse mal aos outros. São obrigados, por meio do livro de Jonas, entender que Deus não vê etnia boa ou má, mas sim:

"homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda (Jonas 4.11)"

Se existe uma escolha por parte de Deus em relação a Israel, o que está claro devido Jonas ser um profeta israelita, isso deve ser encarado para o povo como responsabilidade e não privilégio. Como Jonas que  é comissionado a anunciar à Nínive. Deus deve ser anunciado pelo seu povo e não restrito a ele.

Em Jonas Deus é o Deus de TODOS OS POVOS.

O que Jonas ensina hoje ao cristianismo protestante ou católico é de que Deus não está interessado em que tipo de religião. O credo religioso não importa para Deus, o que importa para Deus é simples:

"não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?"

Deus não se importa com "Justos que se acham santos", mas com pessoas que precisam dele. E nisso não importa cor, credo, orientação sexual, nacionalidade ou qualquer outro rótulo que o ser humano crie. Deus apenas vê sua criação, a qual ele diz: é muito bom!

Que aprendamos a valorizar as pessoas e não seus (nossos) rótulos!

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