quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Novo Olhar sobre a Ovelha Perdida


A parábola da ovelha perdida revela o preconceito oculto no coração daqueles que dizem seguir a Deus (Lc 15:3-7).

Quem é a ovelha perdida?
Seriam os viciados? Os desviados da fé? Os sem fé? Os ateus? Homossexuais? É tão triste imaginar-se "ovelha perdida", que todos se preocupam em se localizar como uma das "99" que ficaram no "aprisco", protegidas contra qualquer desvio, que a "perdida", se impôs. E, óbvio, procura-se no outro a identificação daquela que se perde. Daquela fraca e pecadora que não conseguiu se manter fiel a Deus.

Porém, lendo melhor nosso texto, reparamos que as que ficaram, não ficaram em "aprisco" nenhum. Ficaram no deserto (v 4). O pastor deixou todas no deserto e foi atrás dessa uma que se perdeu. O pior é a tradução correta que diria: "não deixa ao cuidado de ninguém, no deserto"; "abandona no deserto"; "Larga para trás no deserto".

Logo procuramos um jeito de justificar essa decisão irresponsável do pastor. Afinal, ele, por causa de uma, poderá perder todas. Entra em nossa idéia a questão quantitativa que nossa lógica consumista compreende: melhor um pássaro na mão, do que dois voando. E, no caso, o pastor deixa os 99 fiéis a ele no deserto. E vai atrás da ovelha que se extraviou. Como Deus pode fazer isso conosco? Abandonar-nos para ir atrás dessas pessoas que não querem nada com ele? Não! Deus não faria isso conosco! Então vamos tentar justificar e descobrir o porquê dessa decisão tão injusta.

Essa sensação de abandono é oriunda desse preconceito que falei lá em cima. Nos achamos parte do grupo das 99. E a mensagem da parábola quer nos dizer exatamente o contrário. Quer nos mostrar que o problema é o grupo das 99 e não da ovelha perdida. Quem disse que você é parte das 99? O que faz você pensar que não é a ovelha extraviada? Todos nós somos essa única ovelha que Deus não conta o prejuízo para nos buscar. Nós somos essa ovelha que não consegue acompanhar os passos das outras, que se perde, e que precisa de amparo do pastor. Que precisa ser carregada no colo. As 99 são aquelas do grupo do fariseu que questionou Jesus comer com pecadores.

O problema é que não nos identificamos com esses "pecadores". Como aqueles que são dependentes de Deus. Achamos-nos já "salvos", "separados", "santos". E nos esquecemos do princípio básico da fé: todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Todos são iguais!

Somos todos carentes da misericórdia, do amparo e do imenso e desmedido amor de Deus. Imenso, desmedido, e me permita dizer, doce e irresponsável amor de Deus. Tão irresponsável que prefere morrer do que perder suas ovelhas. Que prefere a morte do que viver sem nossa presença.

Como a parábola do pastor que abandona as ovelhas no deserto se torna tão doce, meiga e especial, quando nos identificamos com a ovelha perdida. Perdidos somos, e precisamos tanto desse amparo, desse abraço e dessa paz que só os braços do Pastor verdadeiro pode nos dar. Não seja parte do grupo santo, seja parte do grupo que se entende como igual e necessitado do amor mútuo e do amor divino.

3 comentários:

  1. OBRIGADO SILVIO,
    EU ME SENTIA UMA OVELHA PERDIDA E NÃO ENTENDIA O POR QUÊ. AGORA EU ENTENDO E SEI QUE NÃO SOU O UNICO A SENTIR ASSIM.
    FIQUE EM PAZ.
    NAIFF.

    ResponderExcluir
  2. Você precisa ler também Mt 18:12, e comparar com o texto de lc e buscar as palavras no original,no grego,e você vai ver q elas não firam largadas...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A parábola em MT tem um objetivo diferente da de LC. LC pertence ao contexto das parábolas de misericórdia (ovelha, dracma e Filho Pródigo). Embora pareçam ser a mesma parábola, são diferentes em seu contexto (literario, temporal, autoria e destinatário) e palavras gregas usadas.
      Via de regra, textos q narram a mesma história com palavras gregas diferentes e contextos diferentes, não estão dizendo a mesma coisa.

      Ao contrário do q vc disse, as duas precisam ser vistas separadamente, justamente por não possuirem o mesmo objetivo. Uma nao completa a outra. São independentes, provavelmente dependentes de outra história que não temos mais acesso; ou ainda, simplesmente, mesma história aplicada para sentidos diferentes.

      Excluir