segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Quem Justifica?

É caminho comum a certeza de que os textos apocalípticos apontam para uma mensagem cifrada. Dentro disso, é bastante triste que alguém pense em Deus como um ser capaz de destruir toda a terra para fazer com que sua vontade prevaleça.

O que declara isso é outro caminho comum, que afirma que Deus se importa com sua criação. O salmista declara (sl 96):

"Alegrem-se os céus e exulte a terra, retumbe o oceano e o que ele contém,
regozijem-se os campos e tudo o que existe neles. Jubilem todas as árvores das florestas
com a presença do Senhor, que vem, pois ele vem para governar a terra: julgará o mundo com justiça, e os povos segundo a sua verdade"
.

O autor de Jonas afirma:

"E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e uma inumerável multidão de ANIMAIS?"

A Torah também demonstra respeito pela terra (Lv 25):

"Durante seis anos semearás a tua terra, durante seis anos podarás a tua vinha e recolherás os seus frutos.
Mas o sétimo ano será um sábado, um repouso para a terra, um sábado em honra do Senhor: não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha;
não colherás o que nascer dos grãos caídos de tua ceifa, nem as uvas de tua vinha não podada, porque é um ano de repouso para a terra."


Contudo, o que vejo, atualmente, é que o "apocalipse literal", tem se cumprido. Não como uma profecia vinda de algum livro ou de algum profeta, mas como cumprimento do desrespeito e da irresponsabilidade humanas.

Enquanto religiosos e superticiosos ficam à procura de cumprimento de Escrituras, eu, aqui, em meu lugar, fico perguntando: quem justificará? Sim, o protestantismo é filho dessa palavra "justificação". A justificação pela fé (sola fide) foi ponto chave para o grande reformador Martinho Lutero. Contudo, pergunto-me, atualmente, se não falta em nossos discursos outra exigência:

"Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. "(Mt.520)

E, infelizmente, o que percebo é injustiça! Injustiça com a terra, com os animais, com a água e com tudo aquilo que nos foi dado gratuitamente pela Mãe Natureza. Já consumimos mais de 30% daquilo que Gaia consegue repor, e isso traz um sentimento desesperador, para mim. Vejo um "apocalipse tristemente literal" vindo no horizonte.

E cá estou a me perguntar: que justifica? Quem justificará aos animais que, indefesos, foram instintos? Quem justificará os golfinhos mortos de forma vergonhosa? Quem justifica nossos mares cobertos com o  "óleo da incompetência" e de lixos da irracionalidade? Quem justificará os cães tratados como inferiores? Quem mostrará o quanto os humanos tornaram-se opressores daqueles que, somente, gostariam de viver?

Quem? Não sou dado a canções gospel, pelo contrário, sinto-me bastante envergonhado com o que se canta por aí. Mas uma, não muito antiga, faz eco a dor desses animais, árvores e minerais que não podem ser ouvidos por nós:

"Quem vai ouvir a minha voz?
Quem vai enxugar as minhas lágrimas?
Quem? Quem?"

Há uma mensagem de consolo para a natureza, que inclusive já foi citada, e termino com ela, esperando que conscientize-nos a, pelo menos, respeitarmos Gaia e o Deus que lhe fez...

"Alegrem-se os céus e exulte a terra, retumbe o oceano e o que ele contém,
regozijem-se os campos e tudo o que existe neles. Jubilem todas as árvores das florestas
com a presença do Senhor, que vem, pois ele vem para governar a terra: julgará o mundo com justiça, e os povos segundo a sua verdade"




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