quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Deus que não cabe em si (Por um Deus melhor...)

Por ser exato, o amor não cabe em si
Por ser encantado, o amor revela-se
Por ser amor, invade e fim

Eu preciso me recompor diante de palavras tão profundas. Costumo, de forma constante, fazer a confissão joanina: Deus é amor. Então, vamos substituir:

Por ser exato, Deus não cabe em si
Por ser encantado, Deus revela-se
Por ser Deus, invade e fim.

Não vejo Deus como um ser narcisista, que se ama, se completa e faz tudo para a sua glória. Que exige e busca louvores dos homens. Não encontro e não admito a imagem de um Deus que sabe quem é, mas deseja que o reconheçamos. Não... rejeito isso...

Fico tentando entender o que de fato passou na cabeça de Djavan ao dizer que o amor não cabe em si. E para conseguir entender isso vejo Deus... um Deus que não cabe dentro de seu eu; não é suficientemente forte para se segurar; não consegue se conter. Deus precisa sair de si, precisa se esvaziar, precisa ir de encontro a outro. Imagino Deus como aquele que não tem condições de se bastar.

E nessa saída de si, cria todas as coisas. O Deus que não criou as coisas para a sua glória – como diz algumas tradições das Escrituras – mas um Deus que não se conteve, não conseguiu se segurar, não coube dentro de sua própria natureza e por conta disso, cria a coisas. Como uma explosão de amor e de necessidade de expandir naquilo q foi criado.

Eu vejo um outro Deus... Vejo o Deus que é grande sim, mas de tão grande não precisa se dividir, precisa ir de encontro a alguém. Precisa se colocar em tudo: na natureza e no ser humano. O Deus que não cabe dentro de si, é aquele que se lança no outro e precisa estar no outro, quer estar no outro pq não tem condições de viver pra si. O Deus que preenche todas as coisas, pq é maior do que si próprio.

Um Deus que é encantado – que tem encanto, que fascina – e que portanto, se revela. Como não achar fascinante o pôr-do-sol? Justamente por ser fascinante, se revela. Não se esconde. De forma bem simples: aquilo que é belo se mostra. As coisas bonitas tendem a serem mostradas. Como diz Jesus: aquele que é nascido da luz, se achega para a luz, para que sejam reveladas suas obras, pois são feitas em Deus. Aquilo que é bom, bonito e encantado não consegue se ocultar. E assim, Deus, se revela em Jesus, se revela na criação, se revela na vida que nasce, se revela na dor consolada. Por ser encantado, fascinante, belo e lindo: Deus se revela.

Revela vem do latim: revellare, que quer dizer, literalmente: tirar o véu. Deus, não se deixa oculto atrás do véu. Deus tira aquilo que oculta-o e se mostra. Por ser encantado, por ser mais belo que o véu, por ser amor: não se esconde. O amor não consegue se ocultar, ele, sempre, sempre se mostra. Assim é Deus: não consegue se guardar-se, embora não consigamos compreende-lo plenamente, ainda assim, plenamente e misteriosamente, ele se revela em Jesus, segundo a carta aos Hebreus.

E por ser amor, Deus invade e fim...

O amor não pede licença pra chegar. Quando menos esperamos, amamos as pessoas. E de forma bem sutil, esse mesmo amor invade e não conseguimos segura-lo, quando ele resolve fazer isso. Assim é Deus... Preenche todas as coisas. Todas as coisas estão em Deus e Deus está em todas as coisas. Não é panteísmo, é pananteismo (pan= todo; en=em; theos=Deus). Esse é o amor... Esse é Deus... E esse fim, na realidade não é fim, é apenas o começo. Pois quando o amor penetra o coração ocorre o fim de sua ausência e o início sem fim de sua presença. O começo do amor, a inauguração do governo do amor e o início da vida em amor.

Por ser exato, o Deus de Jesus, não cabe em si, se revela, preenche tudo e fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário