quarta-feira, 7 de julho de 2010

Encarnação, o caminho do (i)limitado

Muitos procuram definir Deus - que acredito ser indizível - como Onipotente, Onisciente e Onipresente. Respectivamente, segundo Priberam, seria: Pode tudo; sabe tudo; que está, ao mesmo tempo, em toda parte.

Acredito, contudo, que essa visão de Deus possui, atualmente, algumas deficiências. Ela representa aquilo que o homem, em diversas esferas, deseja ser. Dentro de cada um de nós existe o desejo de ser um deus. Mas não de participar da natureza divina e sim de sermos divinos e maus por essa divinização. São atributos impossíveis ao homem, mas que em sua viagem de perfeição, imagina que, assim, é aquele que é perfeito.

Deus, nessa concepção, não pode ser menor e nem igual ao homem. Tem que ser superior. E nada mais superior na mente humana do que: poder fazer tudo, saber todas as coisas e ninguém poder esconder nada de mim. São as características que o homem gostaria de ter. Não tendo, lança-se esses desejos para Deus. E chama esse Deus de seu. Para assim, de alguma forma, ser participante dessa natureza soberana desse Deus inalcansável.

O que, contudo, acho bem engraçado é não a forma com que os cânticos contemporâneos e salmos bíblicos falam de Deus, mas como a experiência bíblica fala sobre Deus.

Encontramos uma mensagem bem diferente no texto do envangelho joanino:

"E o Logos se fez carne, e tabernaculou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."

Deus se fez carne. É muito irônico o fato de que Deus abre mão dessa imagem que o ser humano tem dele. Embora eu, de fato, não creio que Deus seja essa triade fabulosa (onipresente, onisciente e onipotente), é inegável que Deus desconsiderou tudo isso para simplesmente ser uma pessoa.

Enquanto que muitos procuram fazer o caminho da exaltação, o caminho do infinito. Deus opta pelo caminho da humildade, do oculto, do desconhecido e da finitude. Muitos grupos de pessoas promovem o não-humano. Promovem a coisificação do ser humano e a aposta de ser um semi-deus. Religiões criam "apóstolos", "ungidos", "adoradores" e etc. Qualificações que "sobem" de degrau desprezando o simples fato de sermos todos iguais: todos membros da grande família humana.

Optamos por sermos superiores aos outros, equanto que o superior, opta por ser igual. Limita-se , se prende e se deixa prender, não tem forças para descer da cruz, e nem mágica para cicatrizar suas feridas. Enquanto muitos dizem: a carne é má. O logos se faz carne. Enquanto muitos se colocam como "ungidos intocáveis", o Ungido (Messiah) é ofendido, maltratado, ultrajado e oferece perdão a esses. As igrejas lotam de superstars, de homens e mulheres se idolatram e são idolatrados, enquanto o Único não permite que saibam que ele é o Cristo.

O caminho de Deus é a encarnação e o do homem tem sido a auto-divinização. O caminho de Deus é amor, o da modernidade é o individualismo. Deus entra no mundo pelas portas do fundo, e os líderes religiosos buscam os altares.

Deveríamos aprender com esse mesmo Deus, que nos motra que a limitação é justamente o caminho mais lindo e perfeito para a comunhão e para a vida no mais profundo sentido da palavra.

Um comentário:

  1. Resumindo:

    Ele é o Cara.
    De muitas formas, tamanhos, cores etc...

    Acredite quem quiser.

    Adorei o texto Irmão
    Abraços

    ResponderExcluir