segunda-feira, 12 de julho de 2010

Figuras Messiânicas

Estive pensando esses dias e sinto que devo, talvez, registrar esse pensamento. Acredito que a criação viva uma constante evolução. Sim, neste ponto concordo bastante com a teoria de Darwin. Mas o que me deixa intrigado é outro tipo de evolução, da qual, para mim, completaria a idéia de Darwin: a evolução comum do ser humano.

Creio que fomos destinados a evoluir internamente a tal ponto de vivermos de fato o Reino de Deus no mundo. Nesse sentido, creio que todos são diretamente destinaos ao Reino Utópico, de amor, justiça e igualdade.

Diferente, contudo, da evolução darwniana, creio que essa evolução dependa tão somente do próprio ser humano. Creio que o Novo Testamento chame isso de "Metanóia", mudança completa de direção. Mudança de mente. Um giro de 180 graus.

Mas vejo que Deus nos concede, a nós, homens e mulheres que ainda não vivem tal evolução, um encontro com aqueles que representam uma humanidade evoluída. É como se, para os nossos dias, fossem importadas pessoas que deveriam nascer milênios à frente.

São as pessoas que nasceram antes do tempo. Vieram para o momento evolutivo errado. Contudo, por estarem em acordo com a evolução humana, nos ensinam e ilustram, eles mesmos, um alvo que deveríamos traçar e alcançar.

São homens como Jesus, Ghandi, Dalai Lama e etc. Homens que não apenas contribuíram para sua crença, mas que, seus ensinamentos, ultrapassaram as fronteras religiosas. Há um tempo, um professor meu, Edson, Doutor em Teologia, disse o seguinte: existem pessoas que se esforçam para serem boas e outras que são naturalmente boas. Seriam essas, para mim, aquelas que figuram um degrau acima dessa evolução.

Essas pessoas não combinam com o nosso mundinho involuído. E por isso matamo-nas, desprezamo-nas e consideramos seus ensinos, muitas vezes, ensinos de pessoas "idiotas", "otárias", que deixam os outros se aproveitarem delas.

Erramos em pensar assim e em desprezar que a vida desses homens apontam para um ideal que não vivemos, porque, ainda não entendemos o quão importante é a vida dos outros em comunão com a nossa. E ainda não entendemos, por meio deles, aquilo que deveríamos ser.

Da mesma forma eu vejo o contrário, encontro pessoas que nasceram depois do seu tempo. Pessoas que atrasam o processo evolutivo. Que nos fazem ver sempre o que podemos fazer de mal. E o mais interessante é que são, justamente, as pessoas mais copiadas em seus atos. O desejo humano pelo regresso é assustador.

Enquanto temos diante de nós um longo caminho para alcançarmos a sombra desses homens e mulheres que são do "futuro" e nasceram no nosso "presente" - passado deles - para nos mostrar o que fomos destinados a ser, se assim desejarmos, temos, também, que desprezar o ensino daqueles que gostam de nos lembrar de onde viemos.

Não importa de onde viemos, a realidade é essa. O que importa é onde devemos chegar ou queremos chegar. Paulo nos ensina: esquecendo das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação que está em Cristo Jesus.

A soberana vocação é a humanidade perfeita. E que decidamos vive-la. E assim, o reino, que está em nós, se torne concreto para além de nós.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Encarnação, o caminho do (i)limitado

Muitos procuram definir Deus - que acredito ser indizível - como Onipotente, Onisciente e Onipresente. Respectivamente, segundo Priberam, seria: Pode tudo; sabe tudo; que está, ao mesmo tempo, em toda parte.

Acredito, contudo, que essa visão de Deus possui, atualmente, algumas deficiências. Ela representa aquilo que o homem, em diversas esferas, deseja ser. Dentro de cada um de nós existe o desejo de ser um deus. Mas não de participar da natureza divina e sim de sermos divinos e maus por essa divinização. São atributos impossíveis ao homem, mas que em sua viagem de perfeição, imagina que, assim, é aquele que é perfeito.

Deus, nessa concepção, não pode ser menor e nem igual ao homem. Tem que ser superior. E nada mais superior na mente humana do que: poder fazer tudo, saber todas as coisas e ninguém poder esconder nada de mim. São as características que o homem gostaria de ter. Não tendo, lança-se esses desejos para Deus. E chama esse Deus de seu. Para assim, de alguma forma, ser participante dessa natureza soberana desse Deus inalcansável.

O que, contudo, acho bem engraçado é não a forma com que os cânticos contemporâneos e salmos bíblicos falam de Deus, mas como a experiência bíblica fala sobre Deus.

Encontramos uma mensagem bem diferente no texto do envangelho joanino:

"E o Logos se fez carne, e tabernaculou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."

Deus se fez carne. É muito irônico o fato de que Deus abre mão dessa imagem que o ser humano tem dele. Embora eu, de fato, não creio que Deus seja essa triade fabulosa (onipresente, onisciente e onipotente), é inegável que Deus desconsiderou tudo isso para simplesmente ser uma pessoa.

Enquanto que muitos procuram fazer o caminho da exaltação, o caminho do infinito. Deus opta pelo caminho da humildade, do oculto, do desconhecido e da finitude. Muitos grupos de pessoas promovem o não-humano. Promovem a coisificação do ser humano e a aposta de ser um semi-deus. Religiões criam "apóstolos", "ungidos", "adoradores" e etc. Qualificações que "sobem" de degrau desprezando o simples fato de sermos todos iguais: todos membros da grande família humana.

Optamos por sermos superiores aos outros, equanto que o superior, opta por ser igual. Limita-se , se prende e se deixa prender, não tem forças para descer da cruz, e nem mágica para cicatrizar suas feridas. Enquanto muitos dizem: a carne é má. O logos se faz carne. Enquanto muitos se colocam como "ungidos intocáveis", o Ungido (Messiah) é ofendido, maltratado, ultrajado e oferece perdão a esses. As igrejas lotam de superstars, de homens e mulheres se idolatram e são idolatrados, enquanto o Único não permite que saibam que ele é o Cristo.

O caminho de Deus é a encarnação e o do homem tem sido a auto-divinização. O caminho de Deus é amor, o da modernidade é o individualismo. Deus entra no mundo pelas portas do fundo, e os líderes religiosos buscam os altares.

Deveríamos aprender com esse mesmo Deus, que nos motra que a limitação é justamente o caminho mais lindo e perfeito para a comunhão e para a vida no mais profundo sentido da palavra.