sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O livro de Jó

A bíblia é um fruto de textos que sofreram influências externas em sua composição. Lemos nela contos como a torre de babel, o dilúvio e o sofrimento do justo Jó. Histórias que não nasceram em solo judeu, mas foram, por eles, remodeladas e contadas de forma a confirmarem a sua fé em Javé.
Vamos usar, como exemplo, para abrir esse novo blog, o livro de Jó.

O livro de Jó possue várias camadas, mas vou me ate às principais:
Temos um texto em prosa, um poema grande e fechando um outro texto em prosa.
Seu objetivo é falar sobre o sofrimento do justo. Embora não responda o porque do justo sofrer, trata essa questão de uma forma teologicamente forte: o sofrimento do justo não é fruto de infidelidade a Deus.

Essa história não nasce em Israel. Aliás, o livro é dependente de uma história existente na Babilônia, o chamado: O poema do Justo Sofredor (erroneamente chamado de Jó Babilônico).
Nesse texto o justo, embora não questione seu deus Marduk, se nega a reconhecer que seu sofrimento seja causa de infidelidade.

A questão "por que o justo sofre?" sempre esteve presente em muitos povos antigos. Ao invés de procurar encontrar aqui uma história real, deve-se encontrar no texto a realidade de todos os homens e o questionamento de todas as épocas.

O texto provavelmente está no período pós-exílico. Dada sua influência do texto babilônico e seus questionamentos quanto ao insucesso da religião oficial de Israel, presente no poema.

Partindo para o texto logo de início nos deparamos com uma personalidade de um Jó como exemplo de fidelidade a Deus:

"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó. Era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal." 1.1

E como cumprimento da promessa de prosperidade de todo aquele que é fiel ele é apresentado como abençoado e repleto de filhos - figura do homem perfeito nos caminhos de Javé (Sl 1):

"Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo também muitíssima gente ao seu serviço; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente." 1.2-3

As catástrofes que se seguem sobre a vida do justo Jó tem um tom hínico - mesmo dentro da prosa - mostrando uma harmonia de um conto: sempre sobra apenas um para trazer a notícia; sempre a notícia é dada contando: somente eu sobrei e vim lhe trazer a nova; e sempre um mensageiro é interrompido com a chegada de um outro: 1.15-19.

E Jó se mostra mais uma vez fiel ao seu Deus sendo totalmente resignado:
"Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor." 21

Embora sendo atacado de uma doença muito grave o Jó da prosa não amaldiçoa a Deus e mostra sua resignação mesmo quando sua esposa o tenta a fazer tal coisa (2.9-10).

A primeira prosa termina com o capítulo 2, com a chegada dos amigos de Jó que não ousam falar nada condoídos do momento em que passa o amigo (2.12-23).

Nessa prosa Jó é o arquétipo da fidelidade a Deus: justo, íntegro, com muitos filhos e rico. Há em Jó até um certo potencial sacerdotal, pois sacrifica a Deus e intercede pelos filhos (1.5). Jó é a figura da religião oficial nesssa primeira prosa. A religião dos sacerdotes que apontavam a justiça em Deus como caminho para a prosperidade e para o gozo perpétuo.

O autor apresenta um tal de Satanás no texto, estranho na narrativa, que aparece apenas no início, sumindo de uma vez por todas após o início do poema. A figura de um deus ou de um adversário está presente na maioria das histórias do justo que sofre das demais nações, o livro de Jó não fugiu essa influência.

Então temos na primeira narrativa sobre a vida de Jó um exemplo da fidelidade judaica ao seu Deus, confirmando a chamada "Teologia da Retribuição", presente em muitos textos sacerdotais da bíblia. Segundo essa teologia, Deus cobre de bênçãos os que lhe são fiéis e faz com que sofra o injusto.

Contudo, o Jó do poema, que se inicia no capítulo 3 e termina no capítulo 42, o Jó apresentado é completamente diferente desse Jó. É o momento onde o autor se enche de liberdade para questionar essa teologia.

"Sim, por que se concede luz ao homem cujo caminho está escondido, e a quem Deus cercou de todos os lados?
Pois em lugar de meu pão vem o meu suspiro, e os meus gemidos se derramam como água.
Porque aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece.
Não tenho repouso, nem sossego, nem descanso; mas vem a perturbação" (3.23-26)

Jó agora não se mostra mais resignado. Como aquele que sofre passa a questionar a própria vida e a dizer que tudo lhe falta, desde o pão até a paz. Sendo justo, por que sofre assim? E vemos que já começa a responsabilizar a Deus pelo seu mal, dizendo que Deus cerca alguns homens por todos os lados, não para proteger, mas para atacar.

O poema se desenvolve a partir deste ponto, onde ficará clara a opção pela teologia da retribuição nos três amigos de Jó, representando, então, a teologia oficial e Jó com uma teologia diferente parecendo nova, mas com grandes traços da herança profética - comumente contrária a religião sacerdotal - e da sabedoria de Israel.

Para esse estudo não ficar grande colocarei apenas trechos dos debates entre eles e veremos a força de um Jó bem diferente do Jó resignado dos primeiros capítulos.

Elifaz, o temanita (cap 4) :

6 Lembra-te agora disto: qual o inocente que jamais pereceu? E onde foram os retos destruídos?
7 Conforme tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam o mesmo.
8 Pelo sopro de Deus perecem, e pela rajada da sua ira são consumidos.

(cap 5)

17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.
18 Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angústias te livrará, e em sete o mal não te tocará.
20 Na fome te livrará da morte, e na guerra do poder da espada.
21 Do açoite da língua estarás abrigado, e não temerás a assolação, quando chegar.
22 Da assolação e da fome te rirás, e dos animais da terra não terás medo.
23 Pois até com as pedras do campo terás a tua aliança, e as feras do campo estarão em paz contigo.
24 Saberás que a tua tenda está em paz; visitarás o teu rebanho, e nada te faltará.
25 Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra.
26 Em boa velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

Resposta de Jó a Elifaz (cap 6)
Jó reafirma sua justiça e repreende o amigo por não saber consolar:

8 Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo!
9 que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me exterminasse!
10 Isto ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo.
11 Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me porte com paciência?
12 É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
13 Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxílio eficaz?
14 Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo ao que abandona o temor do Todo-Poderoso.

E reafirma que Deus está se comportando como seu inimigo, questionando até mesmo se realmente cometeu algum erro, contudo q esse erro nao prejudicou Deus para q o torturasse daquela forma (7):

12 Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?
13 Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa,
14 então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas;
15 de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos.
16 A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias são vaidade.
17 Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu pensamento,
18 e cada manhã o visites, e cada momento o proves?
19 Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu possa engolir a minha saliva?
20 Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?
21 Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.


Bildade, o suíta (cap 8):

Bildade é mais ignorante do que Elifaz e faz Jó entender que mesmo o que ocorreu com os filhos foi culpa deles mesmo: é a justiça de Deus castigar o pecador:

3 Perverteria Deus o direito? Ou perverteria o Todo-Poderoso a justiça?
4 Se teus filhos pecaram contra ele, ele os entregou ao poder da sua transgressão.
5 Mas, se tu com empenho buscares a Deus, e ,ao Todo-Poderoso fizeres a tua súplica,
6 se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará segura a habitação da tua justiça.
7 Embora tenha sido pequeno o teu princípio, contudo o teu último estado aumentará grandemente.


Jó o responde concordando com a grandeza de Deus, e que, mesmo sendo justo, perante Deus seria condenado. E acrescenta que o mundo está nas mãos dos maus e Deus permite isso (cap 9):

21 Eu sou inocente; não estimo a mim mesmo; desprezo a minha vida.
22 Tudo é o mesmo, portanto digo: Ele destrói o reto e o ímpio.
23 Quando o açoite mata de repente, ele zomba da calamidade
dos inocentes.
24 A terra está entregue nas mãos do ímpio. Ele cobre o rosto
dos juízes; se não é ele, quem é, logo?
28 então tenho pavor de todas as minhas dores; porque bem
sei que não me terás por inocente.
29 Eu serei condenado; por que, pois, trabalharei em vão?
30 Se eu me lavar com água de neve, e limpar as minhas mãos
com sabão,
31 mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias
vestes me abominarão.
32 Porque ele não é homem, como eu, para eu lhe responder,
para nos encontrarmos em juízo.
33 Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos.
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o
seu terror;
35 então falarei, e não o temerei; pois eu não sou assim em
mim mesmo.

Jó acusa Deus de ser maquiavélico, tendo dado a Jó tudo de bom e esperando o momento certo para que, assim que Jó pecar, o maltratar como está fazendo (cap 10):

11 De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.
12 Vida e misericórdia me tens concedido, e a tua providência
me tem conservado o espírito.
13 Contudo ocultaste estas coisas no teu coração; bem sei que
isso foi o teu desígnio.
14 Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniqüidade não
me absolverás.
15 Se for ímpio, ai de mim! Se for justo, não poderei levantar
a minha cabeça,
estando farto de ignomínia, e de contemplar a minha miséria.
16 Se a minha cabeça se exaltar, tu me caças como a um leão
feroz; e de novo fazes maravilhas contra mim.
17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas
contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo.
18 Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! se então tivera
expirado, e olhos nenhuns me vissem!
19 Então fora como se nunca houvera sido; e da madre teria
sido levado para a sepultura.
20 Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me,
para que por um pouco eu tome alento;
21 antes que me vá para o lugar de que não voltarei, para a
terra da escuridão e das densas trevas,
22 terra escuríssima, como a própria escuridão, terra
da sombra trevosa e do caos, e onde a própria luz é como a escuridão.


Zofar, o naamatita (cap 11):

13 Se tu preparares o teu coração, e estenderes as mãos
para ele;
14 se há iniqüidade na tua mão, lança-a para longe de ti,
e não deixes a
perversidade habitar nas tuas tendas;
15 então levantarás o teu rosto sem mácula, e estarás firme,
e não temerás.
16 Pois tu te esquecerás da tua miséria; apenas te lembrarás
dela comodas águas que já passaram.
17 E a tua vida será mais clara do que o meio-dia; a escuridão
dela será como a alva.
18 E terás confiança, porque haverá esperança; olharás ao
redor de ti e repousarás seguro.
19 Deitar-te-ás, e ninguém te amedrontará; muitos procurarão
obter o teu favor.
20 Mas os olhos dos ímpios desfalecerão, e para eles não haverá
refúgio; a sua esperança será o expirar.

Reafirma a teologia da retribuição. A partir daqui a conversa com os amigos passa a ficar tensa. Jó passa a ser dotado de uma ironia nobre, contudo muito agressiva (cap 12):

2 Sem dúvida vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria.
3 Mas eu tenho entendimento como, vos; eu não vos sou inferior.
Quem não sabe tais coisas como essas?
4 Sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invocava a
Deus, e ele me respondia: o justo e reto servindo de irrisão!

Jó neste capítulo engradece a majestade de Deus e diz que os amigos, quando
fizeram o mesmo, nao falarm novidade nenhuma.

E no cap 13 mostra sua irritacao com os amigos, dizendo que eles mentem
em favor de Deus, e mostra tb sua justica diante de Deus:

1 Eis que os meus olhos viram tudo isto, e os meus ouvidos o ouviram e
entenderam.
2 O que vós sabeis também eu o sei; não vos sou inferior.
3 Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me
perante Deus.
4 Vós, porém, sois forjadores de mentiras, e vós todos,
médicos que não valem nada.
5 Oxalá vos calásseis de todo, pois assim passaríeis por sábios.
6 Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos
meus lábios.
7 Falareis falsamente por Deus, e por ele proferireis mentiras?
8 Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis a favor de Deus?
9 Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis
dele, como quem zomba de um homem?
10 Certamente vos repreenderá, se em oculto vos deixardes
levar de respeitos humanos.
11 Não vos amedrontará a sua majestade? E não cairá
sobre vós o seu terror?
12 As vossas máximas são provérbios de cinza; as vossas
defesas são torres de barro.
13 Calai-vos perante mim, para que eu fale, e venha
sobre mim o que vier.

20 Concede-me somente duas coisas; então não me
esconderei do teu rosto:
21 desvia a tua mão rara longe de mim, e não me amedronte
o teu terror.
22 Então chama tu, e eu responderei; ou eu falarei,
e me responde tu.
23 Quantas iniqüidades e pecados tenho eu? Faze
-me saber a minha transgressão e o meu pecado.
24 Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?
25 Acossarás uma folha arrebatada pelo vento?
E perseguirás o restolho seco?

Poderíamos ficar aqui até o fim há muitas coisas para serem ditas neste poema tão lindo. Mas vou colocar aqui apenas os trechos de Jó q se mostram bem fortes, considerando que os já colocados fazem parte dessa coleção:

Cap 16
(contra os amigos)
2 Tenho ouvido muitas coisas como essas; todos vós sois
consoladores molestos.
3 Não terão fim essas palavras de vento? Ou que é o
que te provoca, para assim responderes?
4 Eu também poderia falar como vós falais, se vós
estivésseis em meu lugar; eu poderia amontoar palavras
contra vós, e contra vós menear a minha cabeça;
5 poderia fortalecer-vos com a minha boca, e a consolação
dos meus lábios poderia mitigar a vossa dor.
(contra Deus)

11 Deus me entrega ao ímpio, nas mãos dos iníquos
me faz cair.
12 Descansado estava eu, e ele me quebrantou; e
pegou-me pelo pescoço, e me despedaçou;
olocou-me por seu alvo;
13 cercam-me os seus flecheiros. Atravessa-me os rins,
e não me poupa; derrama o meu fel pela terra.
16 O meu rosto todo está inflamado de chorar, e há
sombras escuras sobre as minhas pálpebras,
17 embora não haja violência nas minhas mãos, e seja
pura a minha oração.
18 Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar
em que seja abafado o meu clamor!
19 Eis que agora mesmo a minha testemunha está no
céu, e o meu fiador nas alturas.
20 Os meus amigos zombam de mim; mas os meus
olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus,

Cap 19
contra os amigos

2 Até quando afligireis a minha alma, e me
atormentareis com palavras?
3 Já dez vezes me haveis humilhado; não vos
envergonhais de me maltratardes?
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo
fica o meu erro.
5 Se deveras vos quereis engrandecer contra mim,
e me incriminar pelo meu opróbrio,
6 sabei então que Deus é o que transtornou a minha
causa, e com a sua rede me cercou.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos
de mim; pois a mão de Deus me tocou.
22 Por que me perseguis assim como Deus, e da minha
carne não vos fartais?

Cap 21

A teologia da retribuição passa a ser questionada, bem como a maldicao hereditária

Os impios sao felizes

2 Ouvi atentamente as minhas palavras; seja isto a
vossa consolação.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, zombai.
4 É porventura do homem que eu me queixo? Mas,
ainda que assim fosse, não teria motivo de me impacientar?
5 Olhai para mim, e pasmai, e ponde a mão sobre a
boca.
6 Quando me lembro disto, me perturbo, e a minha
carne estremece de horror.
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda
se robustecem em poder?
8 Os seus filhos se estabelecem à vista deles, e os seus
descendentes perante os seus olhos.
9 As suas casas estão em paz, sem temor, e a vara de
Deus não está sobre eles.
10 O seu touro gera, e não falha; pare a sua vaca, e
não aborta.
11 Eles fazem sair os seus pequeninos, como a um
rebanho, e suas crianças andam saltando.
12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa,
e regozijam-se ao som da flauta.
13 Na prosperidade passam os seus dias, e num momento
descem ao Seol.

Contra a maldicao hereditaria

19 Deus, dizeis vós, reserva a iniqüidade do pai para
seus filhos, mas é a ele mesmo que Deus deveria
punir, para que o conheça.
20 Vejam os seus próprios olhos a sua ruína, e beba ele
do furor do Todo-Poderoso.
21 Pois, que lhe importa a sua casa depois de morto,
quando lhe for cortado o número dos seus meses?


Contra os amigos

34 Como, pois, me ofereceis consolações vãs, quando nas vossas
respostas só resta falsidade?

Ironia contra Bildade (cap 26)

2 Como tens ajudado ao que não tem força e sustentado
o braço que não tem vigor!
3 como tens aconselhado ao que não tem sabedoria,
e plenamente tens revelado o verdadeiro conhecimento!
4 Para quem proferiste palavras? E de quem é o espírito
que saiu de ti

Bom... acho q já deu pra ver q o Jó do poema nao tem nada a ver com o Jó da prosa.
Foi a forma com que o autor (ou autores) resolveu mostrar sua insatisfação com a religião oficial. Ele nao responde como e pq o justo sofre. Mas procura mostrar que a religiao oficial está enganada. Existe algo q foge a explicação humana mas q faz com q todos sofram.

No decorrer do poema Deus aparece a Jó e mostra que Jó não sabe de nada. Que existem mistérios q o homem não conhece. A forma com que o autor viu de tirar a culpa de Deus sobre o sofrimento de Jó. Em outras palavras, o autor não culpa a Deus pela dor do justo, mas admite que o justo sofre sim.

No final do livro temos uma ultima prosa. A parte dessa prosa que fala do retorno da prosperidade de Jó foge completamente a idéia do poema. Provavelmente trata-se de uma adição posterior de algum sacerdote. Confirmando a idéida da prosperidade do justo. O livro de Jó não recebeu apenas essa adição, mas acredito que essa tenha sido que diminuiu bastante a beleza do poema. Pois as pessoas apenas gravam que Jo sofreu, mais ficou bem. Quando na realidade a mensagem do poema é superior a isso: a mensagem de q Deus é superior ao Deus apresentado pela religião oficial com sua doutrina da retribuição (hoje a q se assemelha bastante é a teologia da prosperidade).

Bom... escrevi bastante, prometo que os outros textos nao serao assim. E, embora tenha escrito muito, a análise do livro de Jó é superior a isso! Não podendo ser feita se não em um livro. Mas acredito que esse texto ajude a quem deseja conhecer mais sobre esse personagem.
Recomendo o livro: Jó, de Samuel Terrien.

Abraço a todos.

Um comentário:

  1. Valeu Silvio. Ótimo comentário sobre um livro tão especial por ter mudado a maneira de pensar de Israel, até então, afundado na questão da causa e efeito; sofria quem pecava contra Deus. Gostei muito da sua atualização do livro para dar respostas aos esquemas modernos de maldições hereditárias, as teologias da retribuição etc. Este texto vai ser a próxima postagem no meu blog, se você não se importar. Abração amigo.

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