terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Deus da cabeça das pessoas (sistematizando)


Assim diz o diabo (segundo o filme: O advogado do diabo):

“ - Para quem você está carregando todos esses tijolos? Deus? É isso? Para Deus? Escute aqui... vou te dar algumas informações sobre Deus:

- Deus gosta de observar. Ele é um gozador. Pense... Ele dá instintos ao homem. Ele lhe dá esse extraordinário dom, e o que faz depois? Eu juro, para a própria diversão... para a própria comédia cósmica particular... Ele cria regras contrárias.É a maior piada de todas: ‘Olhe, mas não toque’. ‘Toque, mas não prove’. ‘Prove. Não engula’.

E, enquanto você pula de um pé para o outro, o que Ele faz? Ele fica se mijando de tanto rir! Ele é um sacana! Ele é um sádico! Ele é um patrão ausente! Adorar isso? Nunca!

- É melhor reinar no Inferno que servir no Céu, não é?

- Por que não? Estou aqui com o meu nariz no chão desde que tudo começou! Eu nutri cada sensação que o homem foi inspirado a ter. Eu me preocupei com seus desejos e nunca o julguei. Por quê? Porque eu jamais o rejeitei, apesar de suas imperfeições. Eu sou um fã do homem! Eu sou um humanista. Talvez o úItimo humanista. Quem, em sã consciência... poderia negar... que o século XX foi inteirinho meu? O século todo, Kevin! ”

Como dizer que o diabo - encarnado de forma divina por Al Pacino - está errado? O que diz a igreja e todos os outros povos que possuem seus deuses? Que Deus estabeleceu leis que contradizem o instinto do homem que ele criou.

E, se de fato o diabo é o tentador, então, ele, realmente, incentiva que sejamos mais humanos do que Deus que nos obriga a sermos o que não somos. Se Deus de fato exige que eu deixe minha humanidade – mesmo que imperfeita – para seguir a regras impostas por ele e que, ele mesmo, não precisa seguir e não há quem esteja acima dele para que o questione ou reprove – como queria Jó (9,32-33).

Considerando o quão Deus é sobre tudo e todos, como dizem as religiões – inclusive a cristã - como posso aceitar que ele não tolere pecado? Por que criou leis tão contrárias ao ser que criou? Compreendendo o caráter mitológico do texto de Gênesis, pergunto: por que colocou algo no jardim para tentar Eva (tanto a fruta quanto a serpente)?

Sim... tenho que reconhecer, se Deus for tão grande como as religiões dizem, então, de fato, ele é sádico como diz o texto acima. E o diabo é o cara que nos ama. Acaso nossos pecados ofendem a Deus? Ele deixa de ser Deus se eu pecar? Aliás, por que ele chama de pecado o fato de obedecer os instintos que colocou em nós? No que o fere agir contra a sua lei? Fica mais fraco? Morre? Sofre? Por que me deu liberdade e exige que eu não seja livre? Se Deus é tudo isso que dizem as religiões, então, repito, Deus é mau, sádico, bobo e precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico!

Tenho que, portanto, rejeitar completamente que Deus seja isso! Não cabe em mim a crença em um Deus que seja tudo e ao mesmo tempo tão egoísta, mesquinho e bobo. O Deus que conheço e reconheço é o Deus de Jesus Cristo: o Pai.

Aquele que não apenas aceita, mas ajuda seus filhos, respeita suas decisões e está sempre de braços abertos. Que não lança no inferno seus filhos simplesmente porque esses discordam dele. Aliás, o Deus que conheço e reconheço, é o Deus que recebe o homem como ele é. Muito mais do que isso, se fez homem.

Jesus não é reconhecido como Deus pelos milagres que efetuou, mas pela vida que viveu, pelo amor que demonstrou, pela humanidade perfeita (em acertos e erros, em qualidades boas e más). Jesus é Deus porque, como diz Leonardo Boff, humano como ele, só pode ser Deus.

E Deus é reconhecido pela sua grandeza pelo amor incomparável e pela sua entrega total ao ser humano e a todas as suas outras criaturas. Um Deus vivo e atuante cujo poder que tem não é nem um pouco tentado a sustentar. Pelo contrário, encarna em seu mundo, se esvazia e se faz parte dele: morre nele; derrama seu sangue por essa terra; pisa o nosso chão; come nossa comida; aprende com seus mestres e ensina aos seus discípulos.

Um Deus igual. Igual em tudo! Que nos faz segundo a sua imagem e que se faz nossa imagem. Um Deus que prova todas as coisas da humanidade e, ainda hoje, é reconhecido em figura humana. Um Deus que não institui leis, mas que ergue o amor como vinculo da paz e da perfeição humana. Não por ter o ser humano instinto de ódio, mas porque todos são capazes de amar. Ainda que amemos apenas aqueles que nos amam, os amamos com sinceridade, sofremos sua falta. O convite de Deus não é que rejeitemos o ódio existente em nós, mas que permitamos florescer o amor que está em nós. Pois o ódio é apenas o esfriamento desse amor.

Deus não exige de nós o que não podemos fazer, pelo contrário, alimenta cada um dos nossos sentimentos e instintos, pois nos ama. O ser humano que impõe leis para controlar esses instintos, pois percebe neles, uma ameaça, diante do outro que lhe é semelhante. Deus nos convida a sobrepujar essas leis, de forma que elas não existam mais: ame faça o que quiser. O convite mais do que sensato de Agostinho demonstra com acerto a perfeição humana e a liberdade dada ao ser humano para ser o que se quer ser. Ainda que rejeitemos tal convite, ainda que outros convites nos sejam mais atraentes, nosso Pai não cessa de tentar nos reconquistar e não nos condena por uma má escolha.

Deus acolhe a todos, os bons e maus. Não importa o que fizeram ou deixam de fazer: faz nascer o sol sobre justos e injustos. Por Deus todos são dignos de receber as bênçãos e alegrias presentes na criação. Sua única exigência: amem para que possam gozar dessas bênçãos eternamente!

Ame e faça o que quiser, “O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei” (Rm 13.10).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Tempo se Cumpriu! (Mc 1.14-15)

Esse texto revela a certeza da comunidade de Marcos: o tempo se cumpriu (Πεπλήρωται ὁ καιρὸς).

Kairos (καιρὸς): muitos erroneamente chamam de: tempo de Deus. kairós não é o tempo de Deus. É o tempo oportuno. O tempo que marca. O tempo que se cumpre, que ocorre, dentro do
χρόνος (crónos), dentro da normalidade. Um fato que marca de tão forma que foge a normalidade do que está acontecendo ou esperando (cronos).

Marcos coloca Jesus como mensageiro desse tempo, ou como o próprio tempo. Algo de anormal, de diferente está ocorrendo. Algo que era esperado, mas que não vinha. Esse algo, esse tempo, essa expectativa se cumpriu.

Pleres (Πε-πλήρω-ται tiramos o sufixo->πλήρω - plero, do verbo πλήρης - pleres , que quer dizer encher por completo, completar plenamente) . O que se traduz como: se cumpriu, seria na realidade: se cumpriu plenamente. Pleroma é a idéida de totalidade, completamente. Poderíamos traduzir para: "O tempo se cumpriu plenamente", "o tempo se encheu, ao máximo", "o tempo está completo". Repete a mesma idéia de Paulo quando afirma: mas, vindo a plenitude( πλήρωμα - pléroma) dos tempos (χρόνου - cróno), Deus enviou seu Filho...(Gal 4.4) .

Marcos afirma que esse tempo, esse momento se cumpriu. Coloca essa mensagem nos lábios de Jesus. Alguns defendem que Jesus de fato disse essas palavras, sendo, portanto, algo vindo direto do Jesus histórico. Não podemos, contudo, seguramente, fazer essa afirmação. A verdade, entretanto, é que, vindo dele ou não, a comunidade de Marcos professa a certeza de que o Cristo é o transmissor da mensagem da fé de que, nele, o tempo se cumpriu plenamente.

Mas que tempo é esse? Que cumprimento total é esse?

Não é simplesmente um tempo cumprido no sentido de fim de todas as coisas. Mas um tempo especial completo. Não é o crónos pleroma (presente em Paulo), mas um kairos pleroma. Aquilo que era esperado com grande expectativa veio de forma completa; ou ainda, aquilo que não se esperava (para agora ou para momento algum) ocorreu e de forma plena, sem nada a acrescentar.

O advento do Reino do Messias. O reino de Paz esperado por Isaías, no post anterior: o tempo de justiça, paz, misericórdia e vida sem fim. O tempo esperado por todas as nações! Mesmo que aguardando isso em um outro deus, ou um governante humano, todas as nações esperam esse momento que Marcos afirma, ousadamente, estar em Jesus.

Como Marcos podia afirmar isso? Os judeus sendo perseguidos, o império romano cada vez mais opressor, os cristãos com uma fé ainda marginal e tantos outros problemas de peso mundial. Com tantos tormentos, como pôde afirmar e colocar nos lábios de Jesus que "o tempo se cumpriu plenamente" (ὅτι Πεπλήρωται ὁ καιρὸς)?

Qual é o caráter e o sentido da mensagem dessa fé? Seria isso um pensamento corrente sobre a obra de Jesus mas que a cruz impediu? Se fosse assim, pq então Marcos não colocou que o" tempo está se cumprindo" e não que "se cumpriu", já prevendo a cruz, posto que o texto foi escrito pós-evento?

Marcos está escrenvendo pós sim, mas não pós-cruz, e sim pós-ressurreição.

Na verdade, o cristianismo primitivo - na comunidade de Marcos - confessa a crença que em Cristo está o tempo pleno pq vê nele não um passado de milagres, boas palavras e coragem. Mas um presente contínuo dessas coisas. A crença fundamental na ressurreição de Jesus faz dele atuante ainda no período pós-pascal. A força, a mensagem e a vida de Jesus, para Marcos, não se encerram na cruz. Pelo contrário, mesmo depois dela ele revive (16.6). E nele está o pleno Reino, onde nem a morte tem poder total. Mas o reino não se impõe. Se vive por opção. ( a parábola do semeador trabalha esta idéia bem).

Em Jesus, em sua mensagem, vida e paixão estão o cumprimento pleno do tempo esperado. Não precisa mais esperar. Essa é a mensagem do Evangelho! O tempo já se completou. Não olhemos para o alto na espera do Messias e nem para o deserto ou para a cidade. Entendamos somente que esse tempo não é mais esperado, é sim, apenas, não vivido.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Morará o Lobo com o Cordeiro (Isaías 11)

A literatura profética de Israel traz, dentre outras coisas, uma mensagem de esperança. Acredito que essa seja a necessidade de nossos dias: uma mensagem que traga esperança.

Não se precisa ir tão longe para encontrar problemas tão reais e tão sem solução presentes na vidas das pessoas: desemprego, fome, violência, medo, depressão, desespero e morte. São alguns dos grandes caos em nosso tempo.

Israel vivia um momento parecido. Não tinham esperança, os empobrecidos eram marginalizados e explorados. O proto-Isaías, contudo, procura reavivar a esperança e a confiança em Javé. A expectativa de um reino de paz perfeita onde o animais domésticos e selvagens convivem com uma criança, sem problema algum. Onde nem mesmo entre os animais haverá ameaça. E porque a terra se encherá do conhecimento de Javé, então não se efetuará dano algum a ninguém.

Ao que parece o Isaías estava vendo na coroação de Ezequias a esperança messiânica e o cumprimento da promessa. Contudo, devido a política de Ezequias não aparentar produzir a sonhada justiça Messiânica, Isaías lança essa esperança para um personagem futuro.

E hoje? Onde está a nossa esperança? No advento de Lula, os trabalhadores e operários esperavam nele o seu Messias; O mundo lança luzes para o advento do primeiro presidente negro dos Estados Unidos; Seria ele um novo Messias do nosso tempo? A bem da verdade que nem Lula e nem Obama conseguem, de fato, restaurar a esperança. E como Isaías somos levados a esperar e lançar nossos olhos para outros que virão.

Isaías tinha de onde esperar: do tronco de Jessé. Talvez não tão seguro como ele, olhamos para os montes e nos perguntamos: "De onde virá o nosso socorro?".

Contudo, assim como no tempo do Isaías, havia aqueles que não reparavam que o mal estava presente; Não viam o problema e não sabiam ler a tristeza presente em seu tempo; Esses são por ele denunciados, mesmo no culto (capítulo 1); Assim somos nós... em nossa religiosidade esquecemos os rejeitados; em nossa comida, esquecemos os famintos; em nossa paz esquecemos dos oprimidos; e em nossa tranquilidade, não olhamos mais para os empobrecidos;

Não será assim para Isaías no reino do rei q virá:

3 E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo
a vista dos seus olhos, nem decidirá segundo o ouvir dos seus ouvidos;
4 mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com
eqüidade em defesa dos mansos da terra; e ferirá a terra
com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio.
5 A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins.

Isaías não sabia em quem esperar... mas esperava que o que viesse tivesse o conhecimento e o temor de Javé, que fizesse valer a justiça. O termo que estudaremos.

Então... de onde nos virá o socorro? Isaías teve forças para, na desesperança, olhar para a frente e esperar aquele que faria com que a צֶדֶק - tsedacá (justiça) - fosse instituída.

O termo refere-se a uma justiça social que corrige a desigualdade. Que estirpa o descontrole social e a escassez dos bens necessários não apenas à sobrevivência, mas à existência. Jesus nos convida a reafirmarmos a tsedacá, dizendo: tive fome e me destes de comer; nu e me vestistes; preso e enfermos e fostes me visitar...

Tsedscá é o lobo e o cordeiro andarem juntos; tsedacá é fazer bem aos pobres; Diferente de caridade ou assistencialismo, a tsedacá é um bem: financeiro; social; emocional; psicológico feito a qualquer pessoa. Para Isaías a urgência são com os injustiçados (sem tsedacá). Aqueles q não tem dinheiro, q sao marginalizados, q feridos emocionalmente, deprimidos e etc... os chamados: pobres.

A existência daqueles que não tem a tsedacá é um pecado a Javé. Por isso o reino vindouro resolverá, principalmente, esse problema. Fazendo com que a tsedacá reine. Mas o poder de fazer com que ela se estabeleça está nas mãos do povo. Não nas mãos do governante - como o povo sempre espera. Por isso mesmos Isaías diz (1.17):
aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão,
fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.

Depois disso Sião seria restaurada. Assim se cria que o estabelecimento da tsedacá, traria o reinado do Messias.

Assim como os judeus acreditavam que a afirmação da tsedacá apressava a vinda do Messias, acreditemos pois que a tsedacá é o cumprimento do Reino de Deus já presente nesse mundo.

No caso da LXX o termo é substituído por "δικαιοσύνῃ" - dikaiosyne. A mesma usada no ensinamento de Jesus quanto a se buscar o reino de Deus e a sua justiça "δικαιοσύνην".

Sobre esse termo, diz Platão algo muito parecido a Isaías: "enquanto a conservarem por meio do conhecimento e da justiça(δικαιοσύνη) e, dentro do possível a deixarem maior do que era antes: só então, e apenas por essas características é que reconheceremos o verdadeiro governo".

E assim podemos compreender o sentido de justiça no Reino de Deus. E entender o que Jesus quis dizer com as "demais coisas serem acrescentadas". Assim que tsedacá ou a dikaiosyne for estabelecida, o reino sonhado por Isaías será estabelecido, o Messias virá, o reino de Deus será estabelecido e as "demais coisas" não faltarão. Enquanto que a busca pelas "demais coisas", sem que haja a tsedacá, sem que a dikaiosyne esteja viva, permite a existência de uma desordem, uma incompletude, uma ausência de justiça e, portanto: fome, desigualdade, opressão, problemas existenciais, exploração e morte.

Faça valer a tsedacá: faça justiça e faça nascer o reino sonhado por Isaías e pregado por Jesus.

Que o lobo more com cordeiro e que um menino os guie...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O livro de Jó

A bíblia é um fruto de textos que sofreram influências externas em sua composição. Lemos nela contos como a torre de babel, o dilúvio e o sofrimento do justo Jó. Histórias que não nasceram em solo judeu, mas foram, por eles, remodeladas e contadas de forma a confirmarem a sua fé em Javé.
Vamos usar, como exemplo, para abrir esse novo blog, o livro de Jó.

O livro de Jó possue várias camadas, mas vou me ate às principais:
Temos um texto em prosa, um poema grande e fechando um outro texto em prosa.
Seu objetivo é falar sobre o sofrimento do justo. Embora não responda o porque do justo sofrer, trata essa questão de uma forma teologicamente forte: o sofrimento do justo não é fruto de infidelidade a Deus.

Essa história não nasce em Israel. Aliás, o livro é dependente de uma história existente na Babilônia, o chamado: O poema do Justo Sofredor (erroneamente chamado de Jó Babilônico).
Nesse texto o justo, embora não questione seu deus Marduk, se nega a reconhecer que seu sofrimento seja causa de infidelidade.

A questão "por que o justo sofre?" sempre esteve presente em muitos povos antigos. Ao invés de procurar encontrar aqui uma história real, deve-se encontrar no texto a realidade de todos os homens e o questionamento de todas as épocas.

O texto provavelmente está no período pós-exílico. Dada sua influência do texto babilônico e seus questionamentos quanto ao insucesso da religião oficial de Israel, presente no poema.

Partindo para o texto logo de início nos deparamos com uma personalidade de um Jó como exemplo de fidelidade a Deus:

"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó. Era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal." 1.1

E como cumprimento da promessa de prosperidade de todo aquele que é fiel ele é apresentado como abençoado e repleto de filhos - figura do homem perfeito nos caminhos de Javé (Sl 1):

"Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo também muitíssima gente ao seu serviço; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente." 1.2-3

As catástrofes que se seguem sobre a vida do justo Jó tem um tom hínico - mesmo dentro da prosa - mostrando uma harmonia de um conto: sempre sobra apenas um para trazer a notícia; sempre a notícia é dada contando: somente eu sobrei e vim lhe trazer a nova; e sempre um mensageiro é interrompido com a chegada de um outro: 1.15-19.

E Jó se mostra mais uma vez fiel ao seu Deus sendo totalmente resignado:
"Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor." 21

Embora sendo atacado de uma doença muito grave o Jó da prosa não amaldiçoa a Deus e mostra sua resignação mesmo quando sua esposa o tenta a fazer tal coisa (2.9-10).

A primeira prosa termina com o capítulo 2, com a chegada dos amigos de Jó que não ousam falar nada condoídos do momento em que passa o amigo (2.12-23).

Nessa prosa Jó é o arquétipo da fidelidade a Deus: justo, íntegro, com muitos filhos e rico. Há em Jó até um certo potencial sacerdotal, pois sacrifica a Deus e intercede pelos filhos (1.5). Jó é a figura da religião oficial nesssa primeira prosa. A religião dos sacerdotes que apontavam a justiça em Deus como caminho para a prosperidade e para o gozo perpétuo.

O autor apresenta um tal de Satanás no texto, estranho na narrativa, que aparece apenas no início, sumindo de uma vez por todas após o início do poema. A figura de um deus ou de um adversário está presente na maioria das histórias do justo que sofre das demais nações, o livro de Jó não fugiu essa influência.

Então temos na primeira narrativa sobre a vida de Jó um exemplo da fidelidade judaica ao seu Deus, confirmando a chamada "Teologia da Retribuição", presente em muitos textos sacerdotais da bíblia. Segundo essa teologia, Deus cobre de bênçãos os que lhe são fiéis e faz com que sofra o injusto.

Contudo, o Jó do poema, que se inicia no capítulo 3 e termina no capítulo 42, o Jó apresentado é completamente diferente desse Jó. É o momento onde o autor se enche de liberdade para questionar essa teologia.

"Sim, por que se concede luz ao homem cujo caminho está escondido, e a quem Deus cercou de todos os lados?
Pois em lugar de meu pão vem o meu suspiro, e os meus gemidos se derramam como água.
Porque aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece.
Não tenho repouso, nem sossego, nem descanso; mas vem a perturbação" (3.23-26)

Jó agora não se mostra mais resignado. Como aquele que sofre passa a questionar a própria vida e a dizer que tudo lhe falta, desde o pão até a paz. Sendo justo, por que sofre assim? E vemos que já começa a responsabilizar a Deus pelo seu mal, dizendo que Deus cerca alguns homens por todos os lados, não para proteger, mas para atacar.

O poema se desenvolve a partir deste ponto, onde ficará clara a opção pela teologia da retribuição nos três amigos de Jó, representando, então, a teologia oficial e Jó com uma teologia diferente parecendo nova, mas com grandes traços da herança profética - comumente contrária a religião sacerdotal - e da sabedoria de Israel.

Para esse estudo não ficar grande colocarei apenas trechos dos debates entre eles e veremos a força de um Jó bem diferente do Jó resignado dos primeiros capítulos.

Elifaz, o temanita (cap 4) :

6 Lembra-te agora disto: qual o inocente que jamais pereceu? E onde foram os retos destruídos?
7 Conforme tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam o mesmo.
8 Pelo sopro de Deus perecem, e pela rajada da sua ira são consumidos.

(cap 5)

17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.
18 Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angústias te livrará, e em sete o mal não te tocará.
20 Na fome te livrará da morte, e na guerra do poder da espada.
21 Do açoite da língua estarás abrigado, e não temerás a assolação, quando chegar.
22 Da assolação e da fome te rirás, e dos animais da terra não terás medo.
23 Pois até com as pedras do campo terás a tua aliança, e as feras do campo estarão em paz contigo.
24 Saberás que a tua tenda está em paz; visitarás o teu rebanho, e nada te faltará.
25 Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra.
26 Em boa velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

Resposta de Jó a Elifaz (cap 6)
Jó reafirma sua justiça e repreende o amigo por não saber consolar:

8 Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo!
9 que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me exterminasse!
10 Isto ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo.
11 Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me porte com paciência?
12 É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
13 Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxílio eficaz?
14 Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo ao que abandona o temor do Todo-Poderoso.

E reafirma que Deus está se comportando como seu inimigo, questionando até mesmo se realmente cometeu algum erro, contudo q esse erro nao prejudicou Deus para q o torturasse daquela forma (7):

12 Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?
13 Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa,
14 então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas;
15 de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos.
16 A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias são vaidade.
17 Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu pensamento,
18 e cada manhã o visites, e cada momento o proves?
19 Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu possa engolir a minha saliva?
20 Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?
21 Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.


Bildade, o suíta (cap 8):

Bildade é mais ignorante do que Elifaz e faz Jó entender que mesmo o que ocorreu com os filhos foi culpa deles mesmo: é a justiça de Deus castigar o pecador:

3 Perverteria Deus o direito? Ou perverteria o Todo-Poderoso a justiça?
4 Se teus filhos pecaram contra ele, ele os entregou ao poder da sua transgressão.
5 Mas, se tu com empenho buscares a Deus, e ,ao Todo-Poderoso fizeres a tua súplica,
6 se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará segura a habitação da tua justiça.
7 Embora tenha sido pequeno o teu princípio, contudo o teu último estado aumentará grandemente.


Jó o responde concordando com a grandeza de Deus, e que, mesmo sendo justo, perante Deus seria condenado. E acrescenta que o mundo está nas mãos dos maus e Deus permite isso (cap 9):

21 Eu sou inocente; não estimo a mim mesmo; desprezo a minha vida.
22 Tudo é o mesmo, portanto digo: Ele destrói o reto e o ímpio.
23 Quando o açoite mata de repente, ele zomba da calamidade
dos inocentes.
24 A terra está entregue nas mãos do ímpio. Ele cobre o rosto
dos juízes; se não é ele, quem é, logo?
28 então tenho pavor de todas as minhas dores; porque bem
sei que não me terás por inocente.
29 Eu serei condenado; por que, pois, trabalharei em vão?
30 Se eu me lavar com água de neve, e limpar as minhas mãos
com sabão,
31 mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias
vestes me abominarão.
32 Porque ele não é homem, como eu, para eu lhe responder,
para nos encontrarmos em juízo.
33 Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos.
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o
seu terror;
35 então falarei, e não o temerei; pois eu não sou assim em
mim mesmo.

Jó acusa Deus de ser maquiavélico, tendo dado a Jó tudo de bom e esperando o momento certo para que, assim que Jó pecar, o maltratar como está fazendo (cap 10):

11 De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.
12 Vida e misericórdia me tens concedido, e a tua providência
me tem conservado o espírito.
13 Contudo ocultaste estas coisas no teu coração; bem sei que
isso foi o teu desígnio.
14 Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniqüidade não
me absolverás.
15 Se for ímpio, ai de mim! Se for justo, não poderei levantar
a minha cabeça,
estando farto de ignomínia, e de contemplar a minha miséria.
16 Se a minha cabeça se exaltar, tu me caças como a um leão
feroz; e de novo fazes maravilhas contra mim.
17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas
contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo.
18 Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! se então tivera
expirado, e olhos nenhuns me vissem!
19 Então fora como se nunca houvera sido; e da madre teria
sido levado para a sepultura.
20 Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me,
para que por um pouco eu tome alento;
21 antes que me vá para o lugar de que não voltarei, para a
terra da escuridão e das densas trevas,
22 terra escuríssima, como a própria escuridão, terra
da sombra trevosa e do caos, e onde a própria luz é como a escuridão.


Zofar, o naamatita (cap 11):

13 Se tu preparares o teu coração, e estenderes as mãos
para ele;
14 se há iniqüidade na tua mão, lança-a para longe de ti,
e não deixes a
perversidade habitar nas tuas tendas;
15 então levantarás o teu rosto sem mácula, e estarás firme,
e não temerás.
16 Pois tu te esquecerás da tua miséria; apenas te lembrarás
dela comodas águas que já passaram.
17 E a tua vida será mais clara do que o meio-dia; a escuridão
dela será como a alva.
18 E terás confiança, porque haverá esperança; olharás ao
redor de ti e repousarás seguro.
19 Deitar-te-ás, e ninguém te amedrontará; muitos procurarão
obter o teu favor.
20 Mas os olhos dos ímpios desfalecerão, e para eles não haverá
refúgio; a sua esperança será o expirar.

Reafirma a teologia da retribuição. A partir daqui a conversa com os amigos passa a ficar tensa. Jó passa a ser dotado de uma ironia nobre, contudo muito agressiva (cap 12):

2 Sem dúvida vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria.
3 Mas eu tenho entendimento como, vos; eu não vos sou inferior.
Quem não sabe tais coisas como essas?
4 Sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invocava a
Deus, e ele me respondia: o justo e reto servindo de irrisão!

Jó neste capítulo engradece a majestade de Deus e diz que os amigos, quando
fizeram o mesmo, nao falarm novidade nenhuma.

E no cap 13 mostra sua irritacao com os amigos, dizendo que eles mentem
em favor de Deus, e mostra tb sua justica diante de Deus:

1 Eis que os meus olhos viram tudo isto, e os meus ouvidos o ouviram e
entenderam.
2 O que vós sabeis também eu o sei; não vos sou inferior.
3 Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me
perante Deus.
4 Vós, porém, sois forjadores de mentiras, e vós todos,
médicos que não valem nada.
5 Oxalá vos calásseis de todo, pois assim passaríeis por sábios.
6 Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos
meus lábios.
7 Falareis falsamente por Deus, e por ele proferireis mentiras?
8 Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis a favor de Deus?
9 Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis
dele, como quem zomba de um homem?
10 Certamente vos repreenderá, se em oculto vos deixardes
levar de respeitos humanos.
11 Não vos amedrontará a sua majestade? E não cairá
sobre vós o seu terror?
12 As vossas máximas são provérbios de cinza; as vossas
defesas são torres de barro.
13 Calai-vos perante mim, para que eu fale, e venha
sobre mim o que vier.

20 Concede-me somente duas coisas; então não me
esconderei do teu rosto:
21 desvia a tua mão rara longe de mim, e não me amedronte
o teu terror.
22 Então chama tu, e eu responderei; ou eu falarei,
e me responde tu.
23 Quantas iniqüidades e pecados tenho eu? Faze
-me saber a minha transgressão e o meu pecado.
24 Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?
25 Acossarás uma folha arrebatada pelo vento?
E perseguirás o restolho seco?

Poderíamos ficar aqui até o fim há muitas coisas para serem ditas neste poema tão lindo. Mas vou colocar aqui apenas os trechos de Jó q se mostram bem fortes, considerando que os já colocados fazem parte dessa coleção:

Cap 16
(contra os amigos)
2 Tenho ouvido muitas coisas como essas; todos vós sois
consoladores molestos.
3 Não terão fim essas palavras de vento? Ou que é o
que te provoca, para assim responderes?
4 Eu também poderia falar como vós falais, se vós
estivésseis em meu lugar; eu poderia amontoar palavras
contra vós, e contra vós menear a minha cabeça;
5 poderia fortalecer-vos com a minha boca, e a consolação
dos meus lábios poderia mitigar a vossa dor.
(contra Deus)

11 Deus me entrega ao ímpio, nas mãos dos iníquos
me faz cair.
12 Descansado estava eu, e ele me quebrantou; e
pegou-me pelo pescoço, e me despedaçou;
olocou-me por seu alvo;
13 cercam-me os seus flecheiros. Atravessa-me os rins,
e não me poupa; derrama o meu fel pela terra.
16 O meu rosto todo está inflamado de chorar, e há
sombras escuras sobre as minhas pálpebras,
17 embora não haja violência nas minhas mãos, e seja
pura a minha oração.
18 Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar
em que seja abafado o meu clamor!
19 Eis que agora mesmo a minha testemunha está no
céu, e o meu fiador nas alturas.
20 Os meus amigos zombam de mim; mas os meus
olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus,

Cap 19
contra os amigos

2 Até quando afligireis a minha alma, e me
atormentareis com palavras?
3 Já dez vezes me haveis humilhado; não vos
envergonhais de me maltratardes?
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo
fica o meu erro.
5 Se deveras vos quereis engrandecer contra mim,
e me incriminar pelo meu opróbrio,
6 sabei então que Deus é o que transtornou a minha
causa, e com a sua rede me cercou.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos
de mim; pois a mão de Deus me tocou.
22 Por que me perseguis assim como Deus, e da minha
carne não vos fartais?

Cap 21

A teologia da retribuição passa a ser questionada, bem como a maldicao hereditária

Os impios sao felizes

2 Ouvi atentamente as minhas palavras; seja isto a
vossa consolação.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, zombai.
4 É porventura do homem que eu me queixo? Mas,
ainda que assim fosse, não teria motivo de me impacientar?
5 Olhai para mim, e pasmai, e ponde a mão sobre a
boca.
6 Quando me lembro disto, me perturbo, e a minha
carne estremece de horror.
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda
se robustecem em poder?
8 Os seus filhos se estabelecem à vista deles, e os seus
descendentes perante os seus olhos.
9 As suas casas estão em paz, sem temor, e a vara de
Deus não está sobre eles.
10 O seu touro gera, e não falha; pare a sua vaca, e
não aborta.
11 Eles fazem sair os seus pequeninos, como a um
rebanho, e suas crianças andam saltando.
12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa,
e regozijam-se ao som da flauta.
13 Na prosperidade passam os seus dias, e num momento
descem ao Seol.

Contra a maldicao hereditaria

19 Deus, dizeis vós, reserva a iniqüidade do pai para
seus filhos, mas é a ele mesmo que Deus deveria
punir, para que o conheça.
20 Vejam os seus próprios olhos a sua ruína, e beba ele
do furor do Todo-Poderoso.
21 Pois, que lhe importa a sua casa depois de morto,
quando lhe for cortado o número dos seus meses?


Contra os amigos

34 Como, pois, me ofereceis consolações vãs, quando nas vossas
respostas só resta falsidade?

Ironia contra Bildade (cap 26)

2 Como tens ajudado ao que não tem força e sustentado
o braço que não tem vigor!
3 como tens aconselhado ao que não tem sabedoria,
e plenamente tens revelado o verdadeiro conhecimento!
4 Para quem proferiste palavras? E de quem é o espírito
que saiu de ti

Bom... acho q já deu pra ver q o Jó do poema nao tem nada a ver com o Jó da prosa.
Foi a forma com que o autor (ou autores) resolveu mostrar sua insatisfação com a religião oficial. Ele nao responde como e pq o justo sofre. Mas procura mostrar que a religiao oficial está enganada. Existe algo q foge a explicação humana mas q faz com q todos sofram.

No decorrer do poema Deus aparece a Jó e mostra que Jó não sabe de nada. Que existem mistérios q o homem não conhece. A forma com que o autor viu de tirar a culpa de Deus sobre o sofrimento de Jó. Em outras palavras, o autor não culpa a Deus pela dor do justo, mas admite que o justo sofre sim.

No final do livro temos uma ultima prosa. A parte dessa prosa que fala do retorno da prosperidade de Jó foge completamente a idéia do poema. Provavelmente trata-se de uma adição posterior de algum sacerdote. Confirmando a idéida da prosperidade do justo. O livro de Jó não recebeu apenas essa adição, mas acredito que essa tenha sido que diminuiu bastante a beleza do poema. Pois as pessoas apenas gravam que Jo sofreu, mais ficou bem. Quando na realidade a mensagem do poema é superior a isso: a mensagem de q Deus é superior ao Deus apresentado pela religião oficial com sua doutrina da retribuição (hoje a q se assemelha bastante é a teologia da prosperidade).

Bom... escrevi bastante, prometo que os outros textos nao serao assim. E, embora tenha escrito muito, a análise do livro de Jó é superior a isso! Não podendo ser feita se não em um livro. Mas acredito que esse texto ajude a quem deseja conhecer mais sobre esse personagem.
Recomendo o livro: Jó, de Samuel Terrien.

Abraço a todos.